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Sarilho certo

O que é certo é que dois dos três partidos mais votados - os populistas e os social-democratas - pronunciaram-se negativamente sobre o resgate a Portugal. "É impossível dizer, por agora, qual vai ser o impacto. Uma coisa é certa, as políticas face à União Europeia e à zona euro vão mudar. Claro que depende da coligação que surja no final de umas negociações que vão ser duras e vão durar algum tempo", adverte Matti Pohjola, professor de Economia da Universidade de Aalto, no centro de Helsínquia.

Opinião partilhada por Elina Berghall, economista do Instituto Governamental de Investigação Económica (VATT): "É claro que os Verdadeiros Finlandeses não podem ser arredados das negociações que vão decorrer. Ora, a atitude deles somada à dos social-democratas, que foram o segundo partido mais votado, promete sarilho nas negociações sobre o apoio aos países da zona euro com crise de dívida". A economista acrescenta: "Julgo que é provável que estes partidos críticos exijam uma solução mais sólida para acabar com a constante reemergência das crises de dívida na zona euro, quer isso signifique exigência de uma reestruturação dessas dívidas, uma saída da Finlândia, na medida do possível, da participação nesses pacotes de resgate, ou outra solução qualquer".

Para Paavo Okko, vice-reitor da Escola de Economia e de Gestão da Universidade de Turku, "estes resultados poderão sinalizar uma posição mais euro-cética também em outros países na Europa", e crê que o melhor "do ponto de vista finlandês é que o fundo de resgate a Portugal seja organizado sem garantias extra da Finlândia". expresso.pt

Nota 1: "Uma coisa parece certa, a de que o novo governo será liderado por Jyrki Katainen, leader do Kokoomus, o partido ganhador. Katainen foi o ministro das Finanças na coligação anterior e um dos críticos mais contundentes da situação portuguesa no último Ecofin em Budapeste."

Nota 2: "Mesmo que as negociações conduzam a uma coligação mais "suave" face aos problemas pendentes da zona euro, a opinião popular está muito radicalizada. "Segundo uma recente sondagem do canal televisivo finlandês MTV3, uma clara maioria dos finlandeses - cerca de 60% - opõe-se ao pacote de resgate previsto para os países da zona euro em dificuldades financeiras. A maior percentagem de rejeição do FEEF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) verificou-se nas regiões do Norte da Finlândia, onde o desemprego é mais elevado. Tal como os Verdadeiros Finlandeses, também os partidos de esquerda, incluindo o SDP, se opõem ao pacote europeu de resgate financeiro, embora de forma diversa", adianta Luís Alves."

Nota 3: "Paavo Okko deixa uma esperança, a finalizar: "Mesmo que seja difícil formar o novo governo, não creio que a sua política europeia venha a ser muito diferente. Os conservadores do KOK e os social-democratas são basicamente partidos pró-europeus. O partido populista de Tino Soini até pode ser deixado fora da coligação, se tomar posições excessivas contra a estabilização do euro"."

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