A Filipa é dentista e nem por isso fugiu ao flagelo da precariedade no mercado de trabalho. “Neste momento sinto-me uma autêntica escrava”, desabafa. “Neste momento, trabalho numa clínica que me paga 1% daquilo que faço, ou seja, se uma pessoa colocar um aparelho de 1700€, eu ganho 17€. Normalmente, o mínimo que um dentista ganha ronda os 30%. Os pacientes muitas vezes acham os dentistas uns careiros que só querem fazer dinheiro. Já não é assim há muito tempo”, refere. Filipa assegura que o panorama é cada vez mais frequente e que os “dentistas não têm ordenado base”, especialmente quem está a começar na profissão. “Infelizmente, tenho de me sujeitar pois ou é isto ou é nada”, diz. ... A Fernanda é licenciada em Biologia e, por falta de outras oportunidades, trabalha há mais de quatro anos num centro de estudos. Não tem contrato e passa recibos verdes. “Engravidei no ano passado e sempre que precisava ir ao médico tinha que arranjar quem me substituísse e pagar do meu bolso”, relat...