em 1925, Antônio Torres, em Razões da Inconfidência, escreve que "o portuguez é o nosso mais tenaz inimigo". Logo depois, Gilberto Freyre ainda recolocou Portugal no cerne da nacionalidade brasileira; mas a partir dos anos 50, as correntes marxistas e neomarxistas que passaram a preponderar nas universidades, desconstruíram essa narrativa e deram continuidade, até hoje, à visão crítica da herança lusa. Mais próximo de nós (1999), Marcelo Coelho, membro do conselho editorial da Folha de São Paulo, resumia bem a situação: "Não há coisa a que sejamos mais refratários do que à cultura portuguesa. Para nós, é quase uma contradição nos próprios termos. Fernando Pessoa e Saramago só passaram pela nossa alfândega porque recalcámos a lusitanidade deles... Tomámos posse virtual desses dois grandes escritores portugueses, portanto, sem abandonar nossa estranheza, nosso desdém pela lusitanidade ."