O professor, quer ele queira ou não, quer saiba ou não, e principalmente quando pensa que está rompendo com as regras estabelecidas, continua um mandatário, um delegado que não pode redefinir sua tarefa sem entrar em contradições, nem colocar seus receptores em contradições, a não ser quando se transformarem as leis do mercado em relação às quais ele define negativa ou positivamente, as leis relativamente autônomas do pequeno mercado que instaura em sua classe. Por exemplo, um professor que recusa atribuir nota ou corrigir a linguagem de seus alunos tem o direito de fazê-lo, mas pode, ao fazer isto, comprometer as chances de seus alunos no mercado matrimonial ou no mercado econômico, onde as leis do mercado lingüístico dominante continuam a se impor. Pierre Bourdieu (Intervenção no Congresso da AFEF (Associação Francesa dos Docentes de Francês), Limoges, 30 de outubro de 1977, publicada em Le français aujourd'hui, março de 1978, n° 14 e suplemento.)