André Téchiné em Impardonnables (2011) conta-nos uma história veneziana, na "Veneza vivida pelos seus habitantes", expressão de Carole Bouquet (que interpreta a personagem Judith) no final da pré-estreia portuguesa, que aconteceu na Festa do Cinema Francês. É relaxante poder ver-se um filme passado em Veneza sem termos que levar em cima com a ponte do Rialto ou praça de São Marcos. Por isso a escolha de uma ilha pareceu-me, estetica e dramaticamente, inteligente porque se por um lado permitiu evitar os "clichés", por outro deu-nos uma paisagem aberta, quer da laguna quer dos campos vinícolas nas traseiras da casa que Francis, o escritor (André Dussollier), alugou para escrever o seu próximo romance. O filme começa com uma citação de Schopenhauer, situando-nos logo na dimensão aparente da obra: "o que eu escrevo é tão inexplicável para mim como o filho o é para a mãe que o engendra" (transcrição livre minha), o que para filósofo é curto e para esteta é lug...