A morte do irmão, com apenas seis anos, destruiu definitivamente a infância de Patrick Modiano e fará com que os temas da perda, da ausência, do vazio, da identidade fragmentada, venham a ser dominantes na sua obra literária. O crítico Yannick Pelletier sublinha ainda que o escritor pratica uma “arte da indefinição e da dualidade”. Os seus protagonistas são muitas vezes seres paradoxais, como o colaboracionista Lacombe Lucien do notável filme com o mesmo nome, cujo argumento Modiano escreveu para o cineasta Louis Malle. O anti-herói do filme é um rapaz que se torna colaborador dos nazis após uma tentativa frustrada de aderir à Resistência . O autor francês recorre em quase todos os seus romances a uma cartografia parisiense muito precisa, nostálgica e romântica, etérea e eterna, onde personagens frágeis, solitárias e desenraizadas, buscam a sua identidade remexendo numa espécie de “ matéria escura ”