O conde rato
Sempre de mão estendida ordenou a uma das filhas para se inscrever no partido que não era o dele para garantir, imaginava, eternos subsídios. De facto até conseguiu meter a sujeitita no gabinete de um primeiro-ministro.* Sempre a queixar-se, cobrava propinas internacionais aos internacionais estudantes enquanto o Estado pagava as dos locais. Como refeições servia caldeiradas de batatas com sobremesas de maçãs, que era o que a quinta produzia. Queixava-se sempre e os subsídios escorriam em abundância. Tudo em nome das artes e dos seus protagonistas.
Um dia bateu na filha mais velha, porque o violoncelista a papou num vão de escada. A menina estava destinada a grandes vôos - casar com alguém que salve a bronca nobreza de mão estendida da radical e vergonhosa dependência de um Estado republicano e plebeu - e não ser papada num vão de escada. Quem deu o alerta foi o conde rato, que é burro que nem uma porta, porque a coisa passaria despercebida.
Outro dia bateu na filha mais nova - a tal que depois foi para o gabinete de um primeiro-ministro - não se percebendo exactamente porquê.
Outro dia bateu na mulher porque lhe pôs, muito justamente, os chifres, ou cornos como preferirem.
Outro dia agrediu (mandou agredir) um dos professores que ensinava, com muito gosto, em troco de comida e estadia, que o conde rato não tinha dinheiro para honorários.
O conde rato não percebeu quando tudo acabou. Habituado à ratice de ser um conde rato, nem percebeu que um músico vale o que vale e um conde rato vale o valor de um rato.
Quando me contaram do músico só consegui exclamar: levaria tantas, tantas, tantas, que até os caseiros, que como toda a gente o odeiam, teriam pena dele. Porque nem os cães que mandou que largassem ao músico o salvariam. Asqueroso conde rato!
* não é anedota: no país do conde rato estas coisas acontecem. Qualquer dia ainda vão à falência...
Sempre de mão estendida ordenou a uma das filhas para se inscrever no partido que não era o dele para garantir, imaginava, eternos subsídios. De facto até conseguiu meter a sujeitita no gabinete de um primeiro-ministro.* Sempre a queixar-se, cobrava propinas internacionais aos internacionais estudantes enquanto o Estado pagava as dos locais. Como refeições servia caldeiradas de batatas com sobremesas de maçãs, que era o que a quinta produzia. Queixava-se sempre e os subsídios escorriam em abundância. Tudo em nome das artes e dos seus protagonistas.
Um dia bateu na filha mais velha, porque o violoncelista a papou num vão de escada. A menina estava destinada a grandes vôos - casar com alguém que salve a bronca nobreza de mão estendida da radical e vergonhosa dependência de um Estado republicano e plebeu - e não ser papada num vão de escada. Quem deu o alerta foi o conde rato, que é burro que nem uma porta, porque a coisa passaria despercebida.
Outro dia bateu na filha mais nova - a tal que depois foi para o gabinete de um primeiro-ministro - não se percebendo exactamente porquê.
Outro dia bateu na mulher porque lhe pôs, muito justamente, os chifres, ou cornos como preferirem.
Outro dia agrediu (mandou agredir) um dos professores que ensinava, com muito gosto, em troco de comida e estadia, que o conde rato não tinha dinheiro para honorários.
O conde rato não percebeu quando tudo acabou. Habituado à ratice de ser um conde rato, nem percebeu que um músico vale o que vale e um conde rato vale o valor de um rato.
Quando me contaram do músico só consegui exclamar: levaria tantas, tantas, tantas, que até os caseiros, que como toda a gente o odeiam, teriam pena dele. Porque nem os cães que mandou que largassem ao músico o salvariam. Asqueroso conde rato!
* não é anedota: no país do conde rato estas coisas acontecem. Qualquer dia ainda vão à falência...