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Más para o país, boas para Sócrates

O economista do RBC Capital Markets, Gustavo Bagattini, diz que imposição de medidas mais duras que o PEC IV beneficia Sócrates.
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"A confirmar-se que os líderes europeus exigirão medidas mais duras que as do PEC IV, isso pode fortalecer ainda mais Sócrates antes da eleição", refere o economista Gustavo Bagattini num relatório divulgado hoje.

E explica como: "Não terá apenas um número de alvos para culpar pelo adensar da crise (a oposição, os bancos, os mercados, etc), como terá ainda capacidade para argumentar domesticamente que as acções da oposição levaram directamente a medidas de austeridade mais duras do que as necessárias se o resgate tivesse sido evitado".

No entanto, o RBC entende que "se o PEC IV tivesse sido aprovado no mês passado seria subsequentemente usado para sustentar um resgate". Isto porque a probabilidade de Portugal pedir ajuda para fazer face ao refinanciamento de dívida de Abril e Junho era elevada, defende o economista.

Numa leitura dos acontecimentos que precipitaram a crise política em Portugal, o economista do banco, Gustavo Bagattini, refere que a recusa do PSD em apoiar o PEC IV foi justificada, já que o Governo fez compromissos com Bruxelas antes de os fazer em Lisboa. "O resultado esperado desta estratégia seria provocar eleições antecipadas, forçar Sócrates a um vergonhoso pedido de ajuda e cavalgar a ira popular contra uma intervenção do FMI para uma vitória eleitoral".

Já quanto à estratégia de Sócrates, o economista diz que "se colocou mais no papel de vítima do que de partido responsável. A crise política, argumentou, foi despoletada pela oposição e chegou no pior momento possível". No entanto, o banco entende que "com os cofres do Tesouro no seu limite e com dois grandes reembolsos de dívida a vencer, ele teria tempos difíceis para convencer os eleitores da sua capacidade de evitar um resgate".

Assim, o RBC entende que "o risco de impasse político aumentou". economico.sapo.pt

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