"À beira do precipício"
O euro e a União Europeia estão "à beira do precipício", afirmou o antigo presidente da Comissão Europeia Jacques Delors numa entrevista hoje publicada nos jornais Le Soir (belga) e Le Temps (suíço).
"Temos de abrir os olhos: o euro e a Europa estão à beira do precipício. Para que não caiam, a escolha parece-me simples: ou os estados-membros aceitam a cooperação económica reforçada que sempre defendi, ou transferem mais poderes para a União" afirmou Delors.
O antigo presidente da Comissão afirmou ainda que "desde o início da crise" que os dirigentes europeus "têm passado ao lado da realidade", acusando os líderes das grandes potências da Zona Euro, Alemanha e França, de "formular respostas vagas e insuficientes".
"Tal como estão, não servem para nada", disse Delors sobre as propostas do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e da chanceler alemã, Angela Merkel, de reforma das instituições comunitárias para responder à crise da dívida.
Delors, francês de 86 anos, foi presidente da Comissão entre 1985 e 1995.
Na entrevista aos dois jornais francófonos, Delors defendeu a mutualização das dívidas dos estados-membros "até 60 por cento" do respectivo Produto Interno Bruto (PIB).
"A mutualização parcial da dívida (...) devolveria sentido à cooperação comunitária. Os estados-membros devem, simultaneamente, levantar as suas últimas objecções aos seis projectos de directivas sobre governação económica, que o Parlamento Europeu logicamente reforçou para tornar mais automáticas as sanções em caso de derrapagem orçamental", afirmou Delors. dn.pt
"A Europa e o euro correm perigo"
O financeiro americano de origem húngara, George Soros, considera que "a Europa e o euro correm perigo" e mostra-se favorável às "Eurobonds" como "solução última".
Numa entrevista ao diário francês "Le Monde", George Soros afirma que "é necessário dar à zona euro uma legitimidade política", no sentido de uma governação económica europeia.
George Soros afirma também que "o euro pode sobreviver à saída de Portugal ou da Grécia, de dimensão modesta. Mas a União rebentaria se fosse o caso da Espanha ou da Itália. É portanto preciso distinguir os países pequenos dos países grandes".
O financeiro admite, porém, que a saída de um membro mesmo "pequeno" da zona euro provocaria "o caos, o afundamento do seu sistema bancário. Autorizar um país a deixar a zona euro exige por isso um planeamento minucioso".
As declarações do financeiro americano surgem um dia depois da cimeira franco-alemã de Paris, em que o Presidente da República francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, propuseram a introdução de uma "regra de ouro" nas constituições dos Estados da zona euro impondo políticas de reequilíbrio orçamental.
George Soros, que em 1992 apostou na saída da libra esterlina do Sistema Monetário Europeu, avisou que "os mercados podem ganhar" e que é preciso dar um passo político na zona euro.
"A zona euro tal como existe hoje não tem autoridade orçamental e fiscal. Enquanto esse poder não existir, o mercado pensará que pode ganhar. Tem diante dele o Banco Central Europeu. Mas o poder do BCE limita-se a resolver problemas de liquidez -- para tornar os mercados mais fluidos -- sem atacar os problemas de solvência dos Estados", analisou George Soros.
"A situação é grave e as autoridades apenas agora começam a levar o assunto a sério", afirmou o financeiro americano ao diário francês. "Até aqui, apenas respondiam à pressão dos mercados. Começam agora a discutir soluções de longo prazo", considerou o financeiro americano.
"Penso que Nicolas Sarkozy tem razão ao afirmar, na terça-feira, que as 'Eurobonds' devem ser equacionadas no final do processo" para mutualizar as dívidas dos países da zona euro. "Deve ser esse o objetivo. Para sair da via actual, os países membros devem poder financiar-se a um custo razoável. As 'Eurobonds' são o melhor meio para chegar lá. Mas o problema está no detalhe! Por quem, como e em que quantidade começar a emissão desses títulos?", questiona George Soros.
O financeiro sublinha que "está também a ser esquecido o estado do sistema bancário europeu, também ele em crise. As instituições são muito frágeis. Estão sub-capitalizados e detêm muitos títulos de dívidas europeias". George Soros admite também que a França está debaixo de ataque dos mercados, depois da Espanha e da Itália, e que isso "é legítimo". dn/Lusa
O euro e a União Europeia estão "à beira do precipício", afirmou o antigo presidente da Comissão Europeia Jacques Delors numa entrevista hoje publicada nos jornais Le Soir (belga) e Le Temps (suíço).
"Temos de abrir os olhos: o euro e a Europa estão à beira do precipício. Para que não caiam, a escolha parece-me simples: ou os estados-membros aceitam a cooperação económica reforçada que sempre defendi, ou transferem mais poderes para a União" afirmou Delors.
O antigo presidente da Comissão afirmou ainda que "desde o início da crise" que os dirigentes europeus "têm passado ao lado da realidade", acusando os líderes das grandes potências da Zona Euro, Alemanha e França, de "formular respostas vagas e insuficientes".
"Tal como estão, não servem para nada", disse Delors sobre as propostas do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e da chanceler alemã, Angela Merkel, de reforma das instituições comunitárias para responder à crise da dívida.
Delors, francês de 86 anos, foi presidente da Comissão entre 1985 e 1995.
Na entrevista aos dois jornais francófonos, Delors defendeu a mutualização das dívidas dos estados-membros "até 60 por cento" do respectivo Produto Interno Bruto (PIB).
"A mutualização parcial da dívida (...) devolveria sentido à cooperação comunitária. Os estados-membros devem, simultaneamente, levantar as suas últimas objecções aos seis projectos de directivas sobre governação económica, que o Parlamento Europeu logicamente reforçou para tornar mais automáticas as sanções em caso de derrapagem orçamental", afirmou Delors. dn.pt
"A Europa e o euro correm perigo"
O financeiro americano de origem húngara, George Soros, considera que "a Europa e o euro correm perigo" e mostra-se favorável às "Eurobonds" como "solução última".
Numa entrevista ao diário francês "Le Monde", George Soros afirma que "é necessário dar à zona euro uma legitimidade política", no sentido de uma governação económica europeia.
George Soros afirma também que "o euro pode sobreviver à saída de Portugal ou da Grécia, de dimensão modesta. Mas a União rebentaria se fosse o caso da Espanha ou da Itália. É portanto preciso distinguir os países pequenos dos países grandes".
O financeiro admite, porém, que a saída de um membro mesmo "pequeno" da zona euro provocaria "o caos, o afundamento do seu sistema bancário. Autorizar um país a deixar a zona euro exige por isso um planeamento minucioso".
As declarações do financeiro americano surgem um dia depois da cimeira franco-alemã de Paris, em que o Presidente da República francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, propuseram a introdução de uma "regra de ouro" nas constituições dos Estados da zona euro impondo políticas de reequilíbrio orçamental.
George Soros, que em 1992 apostou na saída da libra esterlina do Sistema Monetário Europeu, avisou que "os mercados podem ganhar" e que é preciso dar um passo político na zona euro.
"A zona euro tal como existe hoje não tem autoridade orçamental e fiscal. Enquanto esse poder não existir, o mercado pensará que pode ganhar. Tem diante dele o Banco Central Europeu. Mas o poder do BCE limita-se a resolver problemas de liquidez -- para tornar os mercados mais fluidos -- sem atacar os problemas de solvência dos Estados", analisou George Soros.
"A situação é grave e as autoridades apenas agora começam a levar o assunto a sério", afirmou o financeiro americano ao diário francês. "Até aqui, apenas respondiam à pressão dos mercados. Começam agora a discutir soluções de longo prazo", considerou o financeiro americano.
"Penso que Nicolas Sarkozy tem razão ao afirmar, na terça-feira, que as 'Eurobonds' devem ser equacionadas no final do processo" para mutualizar as dívidas dos países da zona euro. "Deve ser esse o objetivo. Para sair da via actual, os países membros devem poder financiar-se a um custo razoável. As 'Eurobonds' são o melhor meio para chegar lá. Mas o problema está no detalhe! Por quem, como e em que quantidade começar a emissão desses títulos?", questiona George Soros.
O financeiro sublinha que "está também a ser esquecido o estado do sistema bancário europeu, também ele em crise. As instituições são muito frágeis. Estão sub-capitalizados e detêm muitos títulos de dívidas europeias". George Soros admite também que a França está debaixo de ataque dos mercados, depois da Espanha e da Itália, e que isso "é legítimo". dn/Lusa