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O problema da incontinência

Comecei a ler inconvencidamente o livro, porque não achei piada ao título, mas lá comecei. Tinha-me custado um euro e meio e estava como novo, para além de ser a edição original.

Passadas umas páginas senti que o escritor se estava a divertir à minha custa. Que me interessa a mim a história de um escritor incontinente que tenta resolver o seu problema com as piscinas públicas, onde o "fiozinho amarelado" o acabava sempre por denunciar? Por favor! Troquei imediatamente de leitura. Um dia talvez lá volte, mas como posso eu considerar voltar a uma leitura que nem é deslumbrante nem é elucidativa, para mim, cujos problemas não se resolvem nem com calções de banho impermeáveis nem com piscinas privadas onde me sentiria liminarmente só e perdido?

Não percebo a transcendência da escrita dele, claro que isso é obviamente uma limitação minha (o tom era sério mas eu não estava a dizer aquilo totalmente a sério, especialmente com o "obviamente" pelo meio), disse à miúda com quem, isso sim, tive problemas reais. E esta conversa foi um problema real para mim, e continua, porque não disse nada do que ela estava à espera e o "timing" certo (porque há sempre um timing certo) passou.

O "problema", o meu problema, é muito mais vasto e insolúvel. Por isso não suporto aquele escritor que quer ocupar-me com problemas estúpidos de incontinência. in cronicas

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