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Isto é giro

É mais um caso que se soma às dezenas, ou centenas, de pequenos casos de corrupção que os afegãos conhecem e que dizem ser uma das suas três principais preocupações. As verbas geradas pela corrupção serão na ordem dos 2,5 mil milhões de dólares por ano - a segunda actividade mais lucrativa a seguir ao comércio de ópio (2,8 mil milhões). O suborno médio anda pelos 160 dólares - um valor enorme para um país em que o rendimento per capita é de 425 dólares.

As consequências da corrupção são profundas: os afegãos desconfiam mais dos poderes ocidentais que os deveriam ajudar, pensando que os estrangeiros apenas querem lucrar com o país, e serviços que deveriam estar disponíveis para toda a população são entregues a quem não tem competências para os fazer, mantendo assim grande parte da população privada de serviços básicos. publico.pt


Tendo em conta isto

Khalilullah Ferozi foi afastado da liderança do Kabul Bank quando o Banco Central do Afeganistão se apercebeu da extensão das irregularidades, desde empréstimos sem documentos que no fundo eram doações até ao esquema de pirâmide, em que os juros dos primeiros investidores eram pagos com o dinheiro dos investidores subsequentes, necessitando sempre de mais pessoas na "base": um esquema clássico aplicado, por exemplo, por Bernard Madoff nos EUA, no final de 2000, ou por "dona Branca", em Portugal, nos anos 1980.

As irregularidades do banco eram tantas e tão graves que quase se lhes perde a conta. Houve empréstimos feitos sem documentos a pessoas que não pagaram quaisquer juros nem capital - ou seja, não eram empréstimos. O banco emprestou dinheiro sem juros a um dos irmãos do Presidente Karzai, Mahmoud, que usou as verbas para se tornar accionista do banco.

Houve um "investimento" de 4 milhões de dólares na campanha de reeleição de Karzai. "Não os demos de graça", explicou Ferozi ao Guardian. "Com isso conseguimos 430 mil contas do Governo e com elas conseguimos lucros de 4 milhões por mês."

Já antes disso, o banco tinha sido encarregado de pagar os salários dos funcionários públicos afegãos, soldados e polícias - e Ferozi conta que normalmente emprestava este dinheiro ao Banco Central com juros a dez por cento - o Governo afegão acabava, assim, a pagar juros sobre o seu próprio dinheiro.

O banco tinha uma contabilidade paralela que enganou os auditores externos. Os auditores deveriam ter visto vários sinais de alerta (um chegou mesmo a ser ameaçado de morte). Mas nenhum deu qualquer sinal de alarme. idem

Ou seja: os afegãos são completamente corruptos, os auditores fecham os olhos com mêdo que os afegãos "lhes façam a folha", mas os afegãos desconfiam é de quem os tenta ajudar.


Mas giro, giro

Foram os sete mil milhões de dólares, em cash, que os americanos mandaram em aviões de transporte de mercadorias para o Afeganistão, e que desapareceram. Puf! Desapareceram.

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