Avançar para o conteúdo principal
Húmus para o caciquismo e a feudalização

A combinação da redução do números de escolas do 1º ciclo, com a continuação do processo de gigantização dos agrupamentos verticais e o reforço dos poderes dos directores, vai colocar o nossos sistema de ensino não-superior nas mãos de decisores com um poder local quase absoluto, meramente condicionado por equilíbrios de interesses políticos, sobre a vida de milhares de alunos e famílias e centenas de educadores e professores.

É o húmus ideal para o desenvolvimento do caciquismo e da feudalização escolar, com directores com poderes quase discricionários sobre as comunidades escolares, mas uma forte dependência em relação ao ME central e à vida política local. Sendo que a estes directores não é pedida qualquer prova de ingresso ou demonstração de conhecimentos que não seja a habilidade para seduzir um Conselho Geral que, em muitos casos, ajudou a moldar.

Isto é a antítese de uma autonomia a sério, embora se apresente como tal. No fundo, é o exemplo rematado do discurso pós-moderno eduquês que oculta o insucesso com a enunciação da pedagogia do sucesso. É a ocultação do controlo com a retórica da descentralização e autonomia. Certamente que Nuno Crato reconhecerá o paradoxo, pois ajudou a desmontá-lo para outras áreas da Educação.

Esta lógica é similar a considerar que um feudalismo piramidal, com um sistema de fidelidade hierárquica, permite mais autonomia do que o liberalismo clássico, em que a obediência vassálica é substituído pela igualdade de direitos de todos perante um poder regulador.

Ou seja, o fenómeno concentracionário iniciado com os governos de Sócrates na Educação, ao ser mantido e acentuado, é a negação do verdadeiro espírito liberal porque impõe um modelo único, rígido, em forma de espartilho, em vez de promover soluções plurais e decididas a partir da base. Porque as bases são comunidades, colectivos que se organizam, não uma pessoa iluminada que decide em nome de todos.

Se me disserem que, neste momento, é o único caminho possível, porque a troika e etc, eu responderei que não é verdade. Que esse pretexto é objectivamente falso. Paulo Guinote - educar.wordpress.com

Nota: é grave que numa sociedade já de si fechada e feudalizada, como o é a sociedade portuguesa, isto esteja a acontecer. O futuro pode não ser brilhante para Portugal num mundo "liberal", tendencialmente livre e aberto.

Mensagens populares deste blogue

Polícias criminosos

Da Crise e dos Cortes

A Caixa Geral de Aposentações, a "segurança social" dos funcionários públicos, também paga pensões a reformados do setor privado, muitas delas milionárias.   No próximo mês de maio, por exemplo, começa a pagar uma reforma de 5000 euros a um dirigente de um externato particular, ao abrigo de uma lei antiga feita aprovar pelo então primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva. De acordo com a lista dos novos aposentados em maio, um ex-diretor pedagógico do Externato Marquês de Pombal Ensinus ficará com uma pensão de 5030 euros mensais brutos. Este estabelecimento pertence ao grupo Lusófona. jn.pt