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Por um motivo muito simples

Não me parece de todo razoável que se mudem as leis laborais com rectroactividade. Porquê? Por um motivo muito simples: a partir de agora, ou de quando as novas leis vigorarem, os novos contratados ficam a saber que vai ser "assim e assado". Como estão no começo, podem simplesmente achar que o "assim e assado" não vale a pena e simplesmente "pisgarem-se" para outro país.

Já com os "velhos" não é assim. Pessoas com mais de 40/45 anos dificilmente têm "genica" para mudarem radicalmente a sua vida. Mas as coisas não se reduzem à "genica": vão ter de competir com os jovens de toda a Europa, que se concentram nos mesmos países "onde vale a pena". Ser-lhes-á totalmente impossível, aos "velhos", recomeçar uma vida profissional "lá fora". Ou mesmo cá dentro... Depois há outra coisa: muitos destes "velhos" podem ter tido oportunidades para imigrar que não aproveitaram porque acharam as condições laborais "cá dentro" aceitáveis, ao ponto de não terem tomado a decisão "radical" de ir para fora e terem decidido ficar. Já lhes basta terem a mente aflorada, de quando em vez, por tudo o que perderam, ou pensam que perderam, por não terem tido a coragem de tomar a decisão "radical", no tempo adequado, de mudar de país... Portanto, o governo antes de legislar deve pensar bem nisto.

E tem de perceber que é esta a altura para privatizar a RTP, porque, como disse Marques Mendes, há medidas que ou se tomam no início ou então não se tomam. Também devia ler o que disse Cadilhe, e muitos outros, e fazer aplicar o "imposto extraordinário" aos lucros. Obviamente que privatizar empresas como a RTP exigirá novas regras para as indeminizações por despedimento. Mas não é assim tão complexo: basta criar regras diferentes para níveis remuneratórios diferentes e explicar ás pessoas que um trabalhador que ganha 4000 ou mais euros mensais é diferente de outro que ganha 1500 euros. Todos irão compreender.


Os consórcios ficaram a ganhar 58 vezes mais!

Em Maio passado foi conhecida uma auditoria preliminar do Tribunal de Contas a um dos episódios mais singulares que ressaltaram do período da governação anterior: a renegociação dos contratos de PPP entre o Estado e os consórcios que exploram as ex-Scut.

De acordo com esses resultados provisórios (espero ansiosamente pelos definitivos), os consórcios ficaram a ganhar (e o Estado a perder) 58 vezes mais com a renegociação do novo modelo de pagamento idealizado a pretexto da introdução das portagens. Tal estimativa, a confirmar-se, originaria um aumento de cerca de dez mil milhões de euros na retribuição que o Estado terá de ofertar aos privados - o que converteria o processo da renegociação das ex-Scut num case study primordial no elenco conhecido dos negócios mais imprestáveis e incompetentes que terão sido realizados em toda a história do Estado moderno. CAA (do blasfemias.net) no DN


Já não se trata da historieta do ser ou não ser

A crise financeira internacional veio apenas acelerar e pôr a descoberto o atoleiro em que nos afundámos mas a verdadeira causa do nosso desastre financeiro, económico e social deve-se à corrupção institucional que se instalou na administração pública. Duvidamos que o actual governo se torne capaz de resolver este problema.

Nota: seja ou não seja capaz, goste muito ou goste pouco, o actual governo Tem de resolver o problema da "corrupção institucional".

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Das propinas

Nas três instituições que disponibilizaram os valores em dívida, a verba chega aos 3,6 milhões de euros. Na Universidade do Minho, Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Coimbra há mais de 4500 antigos alunos em incumprimento. As universidades estão a cobrar uma taxa de juro de mora, aplicável às dívidas ao Estado, e cujo actual quadro legal fica em 1% ao mês, até um máximo de 7%. A Associação Académica de Coimbra defendeu um perdão de juros, mas a reitoria da universidade mais antiga do país recusa essa possibilidade . Mal ou bem os estudantes do ensino público disfrutam de um ensino subsidiado pelos contribuintes. O pagamento de propinas pode ajudar à clarificação do sistema de ensino superior em Portugal - onde existem cursos-lixo que seria bom para o país se desaparecessem definitivamente. Quanto aos juros, nos EUA, por exemplo, Obama está a tentar que os juros pagos pelos estudantes não voltem aos anteriores valores de cerca de 7% (exactamente!). Também está a zelar p...

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