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Subitamente no Verão passado

No Verão passado, na viagem que fiz ao Tibete, ia com um grupo* de catalães, duas espanholas, e, imaginem, uma tuga. Sim! Uma tuga a sério, com aquelas manias de tuga, nomeadamente supôr-se mais "avançada" e "civilizada" que os outros tugas!

Acontece que eu estava "meio lixado" porque tinha percebido que a viagem, que eu reservei pela internet com antecedência, dada a suposta complexidade da coisa (percurso por terra de Khatmandu até Lassa), me tinha saído substancialmente mais cara que áqueles que a compraram em Khatmandu, no Nepal, em uma das muitas dezenas de agências que por lá existem, onde a "coisa" se pode arranjar por uns meros 700 USD (vôo de volta, Lassa/Khatmandu, incluído).

Assim, numa das primeiras povoações no Tibete, onde me calhou uma cama num dormitório asqueroso no rés-do-chão, porque não fui suficientemente "listo" e rápido em arranjar uma no andar superior, "desatinei" e recusei-me a dormir "naquilo". Ora, o raio da tuga mandou logo uma "boca" em espanhol (sim, em puro espanhol) do tipo "mas gaijo esquesito". Aí, a minha decisão de recusar dormir "naquilo" reforçou-se infinitamente, houve que telefonar para o director da agência que organizou aquela viagem (só existem duas agências admitidas pela China que organizam esta viagem; todas as outras são retalhistas que encaminham as pessoas para uma das duas) que me explicou que a empresa que ele representa não tinha recebido nada daquilo, nem parecido (sublinhou), que eu paguei aos espertos dos nepaleses que criaram a tal empresa pela internet, onde fiz a reserva, e, se eu queria um "up-grade", lamentava imenso, mas teria de o pagar à parte. De resto, esclareceu logo, nem disso se tratava porque naquele lugar não era possível qualquer tipo de "up-grade": os alojamentos disponíveis eram os que estavam à vista.

Bem... os donos do "hostal" ofereceram-me o escritório onde normalmente dormiam o guia e o condutor, estes tiveram a grande gentileza de ir dormir para outro lugar, e assim foi. Ao jantar tinha todos os catalães à minha volta, e a tuga, rodeada pelas duas espanholas, noutra mesa, de trombas.

Este texto é um "aviso à navegação" sobre um dos funcionamentos possíveis da futura Ibéria, que é inevitável (e indiscutivelmente melhor para todos os portugueses que não têm "cargos" e que não são nem administradores nem banqueiros).

* viagens ao Tibete só em grupo, com um guia para todo o grupo, ou com um guia privado se se quiser viajar sózinho. Os guias têm de ser credênciados pelas "entidades" chinesas.

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