Da implacável decadência da Europa *
Desde o início, desconfiei fortemente da narrativa oficial dos factos acerca do caso Dominique Strauss-Kahn (DSK) – e escrevi-o nestas páginas. A decomposição natural do testemunho da alegada vítima, a guineense Nafissatou Diallo, para já, parece ter resolvido a questão do crime de violação mas tem o condão de levantar perplexidades ainda mais penosas sobre o modo escorregadio como todo o assunto foi publicamente encenado e apresentado.
Por que razão os proprietários do hotel informaram os serviços secretos franceses e o Eliseu horas antes de a notícia ser conhecida? E a tão elogiada prontidão da polícia de Nova Iorque não se assemelhará agora a uma precipitação indesculpável quando se conhecem os autênticos alçapões escancarados na versão de Diallo? E, neste contexto, como conceber as ligações muito próximas entre o poder político francês e o actual comissário da polícia nova-iorquina – que já foi condecorado com a Legião de Honra pelo próprio Nicolas Sarkozy?
Em boa verdade, sejam quais forem as inclinações apriorísticas de simpatia ou falta de ela face a DSK, custa a acreditar que uma situação que expõe tantas tramas e cumplicidades possa ter brotado da cabeça de uma camareira de hotel e do seu namorado que, presentemente, cumpre pena numa prisão norte-americana.
...
DSK gosta excessivamente de mulheres bonitas e de ostentar luxos privados. Não se contém na retórica redonda e banal da maioria dos políticos, e, pior de tudo, possui uma visão para a Europa. Nada é mais quebradiço do que um político com ideias próprias mas que constantemente se coloca em perigo de ficar refém das suas intensas fragilidades à luz do que é tido e aceite.
Se não fosse por causa de Diallo, DSK não chegaria a presidente da França e homem forte da Europa por qualquer outra razão retirada das funduras do «politicamente correcto» – das muitas que já se aprestam contra o seu regresso.
Hoje, os ventos correm de feição para anémonas políticas como a senhora Merkel. Ou para pasto dos retraimentos pessoais do senhor Bruni. Ou, ainda, para seres irrisórios como Zapatero ou bufões sem remédio como Berlusconi. Hoje, todos esses ventos sopram contra Strauss-Kahn. Notícias Sábado, 8.VII.2011 (CAA - blasfemias.net)
* isto deve corresponder à opinião de quem escreveu a peça e lhe deu o título. Na minha prespectiva a Europa não está em maior decadência que os EUA.
Desde o início, desconfiei fortemente da narrativa oficial dos factos acerca do caso Dominique Strauss-Kahn (DSK) – e escrevi-o nestas páginas. A decomposição natural do testemunho da alegada vítima, a guineense Nafissatou Diallo, para já, parece ter resolvido a questão do crime de violação mas tem o condão de levantar perplexidades ainda mais penosas sobre o modo escorregadio como todo o assunto foi publicamente encenado e apresentado.
Por que razão os proprietários do hotel informaram os serviços secretos franceses e o Eliseu horas antes de a notícia ser conhecida? E a tão elogiada prontidão da polícia de Nova Iorque não se assemelhará agora a uma precipitação indesculpável quando se conhecem os autênticos alçapões escancarados na versão de Diallo? E, neste contexto, como conceber as ligações muito próximas entre o poder político francês e o actual comissário da polícia nova-iorquina – que já foi condecorado com a Legião de Honra pelo próprio Nicolas Sarkozy?
Em boa verdade, sejam quais forem as inclinações apriorísticas de simpatia ou falta de ela face a DSK, custa a acreditar que uma situação que expõe tantas tramas e cumplicidades possa ter brotado da cabeça de uma camareira de hotel e do seu namorado que, presentemente, cumpre pena numa prisão norte-americana.
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DSK gosta excessivamente de mulheres bonitas e de ostentar luxos privados. Não se contém na retórica redonda e banal da maioria dos políticos, e, pior de tudo, possui uma visão para a Europa. Nada é mais quebradiço do que um político com ideias próprias mas que constantemente se coloca em perigo de ficar refém das suas intensas fragilidades à luz do que é tido e aceite.
Se não fosse por causa de Diallo, DSK não chegaria a presidente da França e homem forte da Europa por qualquer outra razão retirada das funduras do «politicamente correcto» – das muitas que já se aprestam contra o seu regresso.
Hoje, os ventos correm de feição para anémonas políticas como a senhora Merkel. Ou para pasto dos retraimentos pessoais do senhor Bruni. Ou, ainda, para seres irrisórios como Zapatero ou bufões sem remédio como Berlusconi. Hoje, todos esses ventos sopram contra Strauss-Kahn. Notícias Sábado, 8.VII.2011 (CAA - blasfemias.net)
* isto deve corresponder à opinião de quem escreveu a peça e lhe deu o título. Na minha prespectiva a Europa não está em maior decadência que os EUA.