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«Decidir não decidir» pode significar o fim do euro

Um grupo de 13 economistas europeus afirmou hoje, em carta aberta aos líderes da UE, que «decidir não decidir» no Conselho Europeu de quinta-feira pode significar o fim da zona euro como conhecida até aqui.

«Os líderes da União Europeia (UE) que se reúnem em Bruxelas na quinta-feira enfrentam uma responsabilidade histórica. É essencial que um acordo seja alcançado sobre um plano que previna uma maior escalada da crise», escrevem os especialistas, entre os quais se contam os nomes do conselheiro económico da Comissão Europeia Paul De Grauwe e o director do centro de investigação Bruegel, Jean Pisani-Ferry.

Os 13 economistas indicam como centro das suas propostas a expansão do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), uma entidade que «deve ser capaz de tornar os bancos fortes o suficiente para aguentar uma falência [‘default’] da Grécia».

Com o título de «Uma chamada à acção: Líderes europeus devem agir para salvar o euro e evitar a recessão», a breve carta lembra que a crise da dívida chegou «ao núcleo da zona euro» ao tocar Espanha e Itália e que o valor de crédito de um terço da região está em causa.

Estes especialistas de vários países europeus explicam que o FEEF deve ter permissão para operar no mercado secundário, com «independência e flexibilidade operacional», e que, apesar de haver muitas variantes destas propostas, «o importante é reconhecer que os líderes estão sem tempo».

Já esta tarde o director do ‘think tank’ belga Bruegel, Jean Pisani-Ferry, tinha sublinhado a urgência da decisão.

Pouco antes da cimeira dos líderes dos países da zona euro que, na quinta-feira, vai tentar chegar a um acordo que ajude a solucionar a crise da dívida soberana grega, antes que se espalhe a Itália e a Espanha, Pisani-Ferry diz estar preocupado com dificuldade da Europa responder aos mercados.

«O que penso ser preocupante é que [se perdeu] aquilo que era relativamente fácil ao princípio, que era estar numa posição de liderança, à frente dos acontecimentos, e dar aos mercados a impressão de que se sabia, e se estava, a antecipar os problemas», afirma Pisani-Ferry, que integra também o grupo de conselheiros económicos do primeiro-ministro francês, François Fillon.

«Os decisores políticos europeus colocaram-se na posição de quem vai atrás dos acontecimentos. E isso leva à derrota porque, a cada vez, está-se sempre a tentar resolver os problemas de ontem, não os de hoje», acrescenta Pisani-Ferry, um dos primeiros defensores da ideia das Eurobonds, a emissão conjunta de dívida por parte dos países da União Europeia.

Para o director do Bruegel, é a lentidão da resposta aos mercados a principal limitação da receita europeia para lutar contra a crise da dívida soberana nos países da periferia da moeda única, como a Grécia, Portugal e Irlanda, e a janela de oportunidade para que os políticos europeus se tornem mais determinados está agora a fechar-se. Lusa/SOL

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