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Cenários para o fim do Euro

Em primeiro lugar acho que é mais uma tragédia psicológica (basicamente voltamos aos anos 60 em que éramos pobres e atrasados) do que "real". E há que realçar que a UE não desaparecerá como consequência inevitável do fim do Euro. Melhor, o Euro não acabará, mas será uma espécie de "marco alemão" alargado à Finlândia e à Holanda, porque a França acabará, mais lá para a frente, por saltar fora desse clube germanófilo: um Euro hiper-forte, como acontecerá se o "clube Med" se retirar da zona Euro, arruinará a competitividade dos produtos franceses.

Existe também a possibilidade da Alemanha e a Finlãndia abandonarem o Euro, o que levaria a uma desvalorização que seria benéfica não só para o "clube Med", como para as exportações francesas (o Club Med foi uma importante instituição francesa de "férias de massas", mas a França, por enquanto, ainda não está incluída no nosso "clube Med").

Em qualquer dos cenários o "clube Med" tem que reduzir drasticamente as despesas, pois parece-me líquido que a Alemanha está decidida em retirar a "teta". Pode não ser para hoje, mas a "teta" alemã vai acabar. A Alemanha considera que já pagou a sua "dívida de guerra" e já não precisa dos europeus para crescer. As exportações alemãs irão primordialmente para a Ásia e o mercado europeu vai ser cada vez menos significativo para a Alemanha.

Se formos realistas concluiremos que o nível de endividamento do "clube Med" seria insustentável no longo prazo mesmo contando com a "teta" alemã. Por isso antecipa-se o cenário em que o "clube Med" vai ter o choque com uma realidade que afinal é a sua. Por enquanto trata-se unicamente do fim dos delírios. A guerra fica para mais tarde.

Ha, já me esquecia! A reestruturação das dívidas grega, portuguesa e irlandesa, pelo menos, será inevitável. Quanto ás espanhola, italiana e belga, logo veremos o que acontece...

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