Sobre as “revisões” do Dr. Fadl
Sobre a “revisões” do Dr. Fadl, o autor de “Muslim Brothers in Egypt”, considerou-as “verdadeiras e genuínas”, mas colocou uma questão: “Até que ponto irão afectar as novas gerações de jihadistas? Neste caso, tenho muitas dúvidas e por várias razões. A primeira é a de que não há relação directa entre o Dr. Fadl e a terceira geração de jihadistas pós-11 de Setembro no Afeganistão e no Iraque. Muitos nem sequer leram os seus livros. Segundo, há novos líderes e teóricos da jihad que podem preencher o vazio da literatura do Dr Fadl, como Abu Moahmmed al-Maqdesi, que escreveu mais de 50 livros, mais literais e extremistas do que os de Al-Sharif. Outro é o palestiniano Abu Qatada (Omar Muhammed Othman), cujas fatwas [éditos religiosos] há muito inflamam a violência jihadista na Argélia. Terceiro, a situação doméstica e regional encoraja uma propagação das ideias jihadistas e salafistas mais do que no passado.”
Anani não considerou as “revisões” de Al-Sharif/Dr. Fadl uma rebelião ou uma revolução. “É uma coisa boa mas não é suficiente”, frisa. “Não creio que estas revisões venham a afectar muito a velha geração da Al-Qaeda, porque esta pagou um preço elevado pelas suas ideias e não permitirá que ninguém, nem mesmo Dr. Fadl, a prejudique. Além disso, muitos [dessa velha geração] têm dúvidas sobre as revisões do Dr. Fadl. Acham que ele foi obrigado a fazê-las.”
A opinião de Raouf Ebeid, director de Political Islam Online, um “site” americano especializado em questões de militância islâmica, não são muito diferentes da de Khalil al-Anani. O novo manifesto do Dr. Fadl “terá provavelmente algum impacto entre os ‘verdadeiros crentes’, assim como um efeito desmoralizador numa organização central já desmoralizada”, disse ao PÚBLICO numa troca de e-mails e conversas telefónicas. “Não é porém, o livro do Dr. Fadl o responsável pelo recuo da Al-Qaeda. O ponto de viragem surgiu quando líderes tribais e a população iraquiana sunita se viraram contra [o assassinado dirigente Abu Mussab] Zarqawi e outros no Iraque. O efeito negativo de uma luta fratricida muçulmanos-muçulmanos espalhou-se por todo o mundo árabe/islâmico.”
O xeque Salman al-Odah, um teólogo que Bin Laden muito admirava, apareceu recentemente numa das mais populares estações de televisão árabes (MBC) a ler-lhe uma carta: “Irmão Osama, quanto mais sangue tem de ser derramado? Quantas mais crianças, mulheres e idosos inocentes serão mortos, mutilados e expulsos das suas casas em nome da Al-Qaeda?”
Peter Bergen e Paul Cruickshank, autores de “The Unravelling”, extensa reportagem publicada em “The New Republic”, também evocaram a mensagem do xeque Odah (famoso pelos seus sermões contra a presença das tropas americanas no reino saudita, que o prendeu em 1984) e o manifesto Dr. Fadl como “sinais de repúdio que apressam a implosão” do movimento terrorista. E citam Churchill, depois da batalha de El Alamein, em 1942, que ele considerou o ponto de viragem na Segunda Guerra Mundial: “Isto não é o fim. Não é sequer o princípio do fim. Mas é, talvez, o fim do princípio”. publico.pt
Sobre a “revisões” do Dr. Fadl, o autor de “Muslim Brothers in Egypt”, considerou-as “verdadeiras e genuínas”, mas colocou uma questão: “Até que ponto irão afectar as novas gerações de jihadistas? Neste caso, tenho muitas dúvidas e por várias razões. A primeira é a de que não há relação directa entre o Dr. Fadl e a terceira geração de jihadistas pós-11 de Setembro no Afeganistão e no Iraque. Muitos nem sequer leram os seus livros. Segundo, há novos líderes e teóricos da jihad que podem preencher o vazio da literatura do Dr Fadl, como Abu Moahmmed al-Maqdesi, que escreveu mais de 50 livros, mais literais e extremistas do que os de Al-Sharif. Outro é o palestiniano Abu Qatada (Omar Muhammed Othman), cujas fatwas [éditos religiosos] há muito inflamam a violência jihadista na Argélia. Terceiro, a situação doméstica e regional encoraja uma propagação das ideias jihadistas e salafistas mais do que no passado.”
Anani não considerou as “revisões” de Al-Sharif/Dr. Fadl uma rebelião ou uma revolução. “É uma coisa boa mas não é suficiente”, frisa. “Não creio que estas revisões venham a afectar muito a velha geração da Al-Qaeda, porque esta pagou um preço elevado pelas suas ideias e não permitirá que ninguém, nem mesmo Dr. Fadl, a prejudique. Além disso, muitos [dessa velha geração] têm dúvidas sobre as revisões do Dr. Fadl. Acham que ele foi obrigado a fazê-las.”
A opinião de Raouf Ebeid, director de Political Islam Online, um “site” americano especializado em questões de militância islâmica, não são muito diferentes da de Khalil al-Anani. O novo manifesto do Dr. Fadl “terá provavelmente algum impacto entre os ‘verdadeiros crentes’, assim como um efeito desmoralizador numa organização central já desmoralizada”, disse ao PÚBLICO numa troca de e-mails e conversas telefónicas. “Não é porém, o livro do Dr. Fadl o responsável pelo recuo da Al-Qaeda. O ponto de viragem surgiu quando líderes tribais e a população iraquiana sunita se viraram contra [o assassinado dirigente Abu Mussab] Zarqawi e outros no Iraque. O efeito negativo de uma luta fratricida muçulmanos-muçulmanos espalhou-se por todo o mundo árabe/islâmico.”
O xeque Salman al-Odah, um teólogo que Bin Laden muito admirava, apareceu recentemente numa das mais populares estações de televisão árabes (MBC) a ler-lhe uma carta: “Irmão Osama, quanto mais sangue tem de ser derramado? Quantas mais crianças, mulheres e idosos inocentes serão mortos, mutilados e expulsos das suas casas em nome da Al-Qaeda?”
Peter Bergen e Paul Cruickshank, autores de “The Unravelling”, extensa reportagem publicada em “The New Republic”, também evocaram a mensagem do xeque Odah (famoso pelos seus sermões contra a presença das tropas americanas no reino saudita, que o prendeu em 1984) e o manifesto Dr. Fadl como “sinais de repúdio que apressam a implosão” do movimento terrorista. E citam Churchill, depois da batalha de El Alamein, em 1942, que ele considerou o ponto de viragem na Segunda Guerra Mundial: “Isto não é o fim. Não é sequer o princípio do fim. Mas é, talvez, o fim do princípio”. publico.pt