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"Deus não ama os transgressores"

O homem que ajudou Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri a criar a Al-Qaeda e se tornou no primeiro teórico da guerra santa disse, num novo manifesto, que “é proibido cometer actos de agressão, mesmo que os inimigos do islão o façam”. A revisão da sua doutrina criou ondas de choque dentro e fora do movimento islamista.

Uns avaliaram que a organização ficou ferida de morte, porque foi abandonada pelo guru que legitimava o terrorismo. Outros desvalorizaram a influência de um veterano jihadista sobre uma nova geração da Internet que talvez nunca tenha ouvido falar nele. Outros ainda distinguiram entre uma crítica à estratégia e o (não) abandono dos objectivos finais.

A “deserção” do Dr Fadl tornou-se conhecida, em Maio de 2007, quando fez chegar um fax ao jornal árabe Asharq al-Awsat exortando a que as operações da jihad fossem levadas a cabo segundo a Sharia (lei islâmica). E a Sharia, assegura este cirurgião de 58 anos, não aprova o assassínio de civis e de estrangeiros, o uso de escudos humanos (raptos), o roubo e destruição de propriedades. Estes crimes são contraproducentes e devem cessar, sentenciou, citando o Corão: “Combatam pela causa de Deus os que vos combatem, mas não ultrapassem os limites, porque Deus não ama os transgressores”.

Como a sua mensagem foi enviada da prisão de Tora no Egipto, onde cumpre uma pena perpétua, desde que foi extraditado do Iémen em 2004, o Dr. Fadl avisou: “Não é legítimo rejeitar este documento alegando que foi escrito na cadeia, e que um cativo não tem autoridade sobre outros. Não pretendo exercer autoridade sobre ninguém. Não exijo que ninguém aceite o meu ponto de vista em nome da obediência ao líder. A liderança não existe. Não me considero qualificado para emitir éditos religiosos nem estou a redigir novas regras de jurisprudência. Sou apenas um transmissor de conhecimento religioso. Há uma forma de obediência que é maior do que a obediência a qualquer líder, é a obediência a Deus e ao seu Mensageiro [o profeta Maomé].” publico.pt

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