Avançar para o conteúdo principal

Rol de ilegalidades em PPP's

O Tribunal de Contas (TC) detectou, numa auditoria a três parcerias público-privadas (PPP) criadas pela Câmara de Oeiras, várias ilegalidades susceptíveis de levar à aplicação de multas ao presidente da autarquia e aos vereadores e deputados municipais que aprovaram as propostas. A auditoria ainda terá de ser alvo de contraditório pelos visados, mas o PÚBLICO perguntou, por escrito, ao executivo liderado por Isaltino Morais o que tem a Câmara de Oeiras a dizer sobre as conclusões do TC. E a resposta da câmara é que "as questões suscitadas pelo Tribunal de Contas estão a ser analisadas", devendo o contraditório ser "remetido ao TC dentro dos prazos definidos". A análise do tribunal incidiu sobre as três parcerias não-remetidas para fiscalização prévia do TC: uma relativa ao centro de congressos, feiras e exposições e ao centro de formação profissional e apoio social; outra referente a duas escolas e a dois centros geriátricos; e a última para o edifício multifuncional municipal. Em Janeiro de 2007, o presidente da Câmara de Oeiras previa que estas três obras necessitariam de um investimento total de 81 milhões de euros. O relatório de auditoria, com data de 21 de Setembro e a que o PÚBLICO teve acesso, começa por concluir que a adopção do regime de parceria público-privada "visou apenas obstar a que o financiamento do investimento associado aos equipamentos a construir se reflectisse na capacidade de endividamento do município". Esse objectivo, de colocar essas obras fora da alçada do limite de endividamento, foi, aliás, reconhecido pelo vice-presidente da autarquia, Paulo Vistas, nas reuniões camarárias e da assembleia municipal em que o assunto foi discutido, como se constata nas actas dessas reuniões. ... Na sua apreciação, o TC detectou mais de 20 situações problemáticas nas três parcerias, incluindo ilegalidades susceptíveis de gerar responsabilidade financeira sancionatória, isto é, sujeitas a multas. Uma delas foi o facto de as PPP terem sido lançadas "sem prévia avaliação da economia, eficiência e eficácia do recurso àqueles instrumentos de cooperação, sustentada num programa alternativo". Foram também várias as ilegalidades apontadas aos procedimentos concursais para a selecção dos privados que participam com a Câmara de Oeiras na constituição das sociedades comerciais responsáveis pela execução das PPP. Neste domínio, o TC verificou que houve falhas em aspectos como a publicitação do objecto do concurso, o cumprimento do prazo legal para a apresentação de propostas, a fundamentação da avaliação do mérito das propostas, a publicidade dos esclarecimentos prestados, entre muitos outros. Os vereadores e deputados municipais podem ser multados por terem aprovado que, após a adjudicação de uma das parcerias, fossem introduzidas modificações à proposta vencedora do concurso. Já o presidente da autarquia, Isaltino Morais, pode ser sancionado por ter disponibilizado, a título gratuito e sem qualquer base contratual, espaços do edifício dos paços do concelho para a instalação das sedes das sociedades OeirasExpo e Oeiras Primus. Outra ilegalidade verificou-se por essas sociedades terem iniciado a construção dos equipamentos, em terrenos do domínio privado da autarquia, "sem que fossem detentoras de quaisquer direitos que legitimassem a execução das obras". Infracção financeira que mais uma vez pode ser imputada a Isaltino Morais. O TC constatou ainda que em duas das PPP não foram transferidos para os parceiros privados "os riscos de disponibilização dos equipamentos", o que desrespeita o estipulado nos termos de referência divulgados nos concursos. Em divergência com o Regime Jurídico das Parcerias Público-Privadas, houve também um caso em que o acordo que regula a relação entre o accionista público e os privados não tinha "qualquer menção aos encargos financeiros suportados pelas partes outorgantes". publico.pt

Mensagens populares deste blogue

Polícias criminosos

Da Crise e dos Cortes

A Caixa Geral de Aposentações, a "segurança social" dos funcionários públicos, também paga pensões a reformados do setor privado, muitas delas milionárias.   No próximo mês de maio, por exemplo, começa a pagar uma reforma de 5000 euros a um dirigente de um externato particular, ao abrigo de uma lei antiga feita aprovar pelo então primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva. De acordo com a lista dos novos aposentados em maio, um ex-diretor pedagógico do Externato Marquês de Pombal Ensinus ficará com uma pensão de 5030 euros mensais brutos. Este estabelecimento pertence ao grupo Lusófona. jn.pt