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Sarko está certo

A Turquia, numa reacção típica de certo tipo de poderes, ameaça a França com a degradação da "maravilhosa" relação entre os dois países devido ao facto do parlamento ter aprovado, por proposta do presidente, a proibição da negação do genocídio arménio.


Em primeiro lugar, acho que entre a Turquia e a França nunca houve uma relação "maravilhosa". Os franceses não querem os turcos dentro da UE, seguindo aliás a vontade da maioria dos europeus, e olham com alguma desconfiança a comunidade turca em França, tal como acontece com o resto dos países europeus (e se aceito que possa haver algum racismo neste olhar, também penso que haverá alguma justificação para tal). Em segundo lugar, desde que um Estado tenta interferir nos assuntos internos de um outro as relações ficam definitivamente degradadas, e o que a Turquia tentou foi, através de um discurso chantagista, tal como no passado aconteceu em relação ao mesmo tema com os EUA onde nunca esteve sequer em causa a aprovação de uma lei como a que foi aprovada em França (e que em meu entender deveria ter efeitos transversais em toda a Eurozona), tentar impedir a aprovação de uma lei num país terceiro.


A Turquia não é um país europeu e não tem lugar no seio da Comunidade Europeia, podendo no entanto manter uma relação de proximidade com esta. No entanto, se a Turquia continua no sendeiro do palavreado gratuíto e chantagista não vejo como possa existir uma "relação de proximidade", seja lá o que isso seja, com um país que tenta forçar um membro fundador e de pleno direito da UE. A "relação de proximidade" convém tanto à UE como à Turquia, no entanto a UE não aceitará condições pré-definidas para a tal "relação de proximidade" e jamais embarcará no branqueamento do primeiro genocídio da história moderna: o genocídio dos arménios pelos otomanos (turcos).

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