Há, porém, um domínio da soberania nacional em que a corrupção se instalou de
forma quase endémica mas da qual poucos falam. Refiro-me aos tribunais, onde o
problema atingiu proporções devastadoras para a credibilidade da justiça e do
estado de direito democrático. Não se trata de um fenómeno igual ao que ocorre
na administração pública (central e local), na instância política ou nas
empresas ou institutos públicos, onde a corrupção se deve sobretudo às vantagens
patrimoniais directas que proporciona aos decisores ou a terceiros, como
familiares, partidos políticos ou clubes de futebol. A corrupção que se instalou
nos nossos tribunais é sobretudo uma corrupção moral resultante do facto de a
justiça ter sido apropriada pelos magistrados e ser usada ao sabor dos seus
interesses corporativos ou mesmo dos seus caprichos pessoais.
Nem só o dinheiro corrompe. O poder também corrompe, por vezes, muito mais do que o dinheiro. E - como é, desde há muito, consabido - o poder absoluto corrompe absolutamente. Marinho Pinto
Nem só o dinheiro corrompe. O poder também corrompe, por vezes, muito mais do que o dinheiro. E - como é, desde há muito, consabido - o poder absoluto corrompe absolutamente. Marinho Pinto