Li no Público de hoje uma peça de um militar de topo aposentado que se dedica a escrever sobre "razões históricas para motins militares"... O tom pareceu-me algo ameaçador e se justiça houvesse em Portugal - que fizesse mais que penhorar os salários dos pobres e devolver os bens apreendidos aos traficantes de droga - o senhor, cuja excelente pensão é paga com o dinheiro público, teria de responder em tribunal, mais que não fosse para justificar que foi um desabafo escrito e pedir desculpa, porque o que escreveu foi bem mais elaborado e bem mais grave do que as "bocas" do Otelo, que de resto, ao contrário do referido militar aposentado, é uma personagem histórica a quem se tolera muitas "bocas".
Para esclarecimento do tal senhor há que dizer que Portugal é um território da UE, UE essa que em caso de qualquer aventura dos militares portugueses teria o absoluto direito - e o absoluto dever - de, através de um ou mais exércitos dos países que a integram, lhe pôr cobro de forma exemplar.
De resto não percebo como e para quê existem tantas Forças Armadas em Portugal - que se encontra falido também graças às negociatas de equipamento militar e às "aposentações douradas" como a do referido senhor - quando as missões externas podem ser conduzidas pela GNR e PSP. De resto, a Noruega - que tem grandes recursos naturais a defender - não possui exército e passa excelentemente bem sem ele.
Nota: mas, como abaixo se pode ver na primeira página do Correio da Manhã (de domingo dia 15), a chantagem e ameaça funcionam sempre em Portugal.