O escuteiro, a velhinha e o vizinho
Tem-se olhado para os problemas do endividamento na Península Ibérica como estando a Espanha a um passo de ser contaminada pelo possível incumprimento lusitano. Daí que, em Berlim e Paris, se tenha desenvolvido a teoria do muro de contenção preventivo: para preservar o parceiro maior (a Espanha vale cerca de 12% do euro), o que faria sentido era intervir em Portugal quanto antes. Dá-se é a arreliadora circunstância de o Governo de Lisboa se declarar na típica situação daquela velhinha, que não queria o que um solícito escuteiro insistia em fazer: ajudá-la a atravessar a rua.
As notícias que nos chegam de Madrid, pelo contrário, são de molde a captar a atenção geral. O reforço anunciado do fundo interno de recapitalização das Caixas de Aforro foi liminarmente considerado insuficiente por solícitos analistas em comentários divulgados globalmente. A duração de seis meses, dada ao processo de consolidação financeira dessa enfraquecida constelação de entidades bancárias, é igualmente considerada demasiado extensa, tendo em conta que no próximo mês de Maio haverá nova ronda de testes de esforço para a banca europeia, desta feita com critérios bem mais apertados do que a de 2010.
Com uma taxa de desemprego, em fins de 2010, no seu máximo de 20,3%, com a economia ainda sem dar sinais de sair do buraco no qual o afundamento do imobiliário a lançou, a Espanha exibe pretextos próprios que levantam dúvidas aos credores. dn.pt
Tem-se olhado para os problemas do endividamento na Península Ibérica como estando a Espanha a um passo de ser contaminada pelo possível incumprimento lusitano. Daí que, em Berlim e Paris, se tenha desenvolvido a teoria do muro de contenção preventivo: para preservar o parceiro maior (a Espanha vale cerca de 12% do euro), o que faria sentido era intervir em Portugal quanto antes. Dá-se é a arreliadora circunstância de o Governo de Lisboa se declarar na típica situação daquela velhinha, que não queria o que um solícito escuteiro insistia em fazer: ajudá-la a atravessar a rua.
As notícias que nos chegam de Madrid, pelo contrário, são de molde a captar a atenção geral. O reforço anunciado do fundo interno de recapitalização das Caixas de Aforro foi liminarmente considerado insuficiente por solícitos analistas em comentários divulgados globalmente. A duração de seis meses, dada ao processo de consolidação financeira dessa enfraquecida constelação de entidades bancárias, é igualmente considerada demasiado extensa, tendo em conta que no próximo mês de Maio haverá nova ronda de testes de esforço para a banca europeia, desta feita com critérios bem mais apertados do que a de 2010.
Com uma taxa de desemprego, em fins de 2010, no seu máximo de 20,3%, com a economia ainda sem dar sinais de sair do buraco no qual o afundamento do imobiliário a lançou, a Espanha exibe pretextos próprios que levantam dúvidas aos credores. dn.pt