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Uso de derivados para esconder défice

A agência de notícias Bloomberg processou o Banco Central Europeu (BCE), com vista a obrigá-lo a revelar documentação que diz mostrar que a Grécia utilizou produtos financeiros derivados para esconder o seu défice orçamental.

O processo deu entrada no Tribunal Geral da União Europeia, no Luxemburgo, a quem a Bloomberg pede que reverta uma decisão do BCE que impediu a divulgação de dois documentos internos preparados este ano para o seis membros do conselho executivo do banco, segundo explica a agência numa notícia sobre o assunto que publicou no seu site.

Segundo a Bloomberg, aqueles documentos “mostram como é que a Grécia usou os swaps para esconder os seus empréstimos”, segundo uma página de rosto datada de 3 de Março e que foi obtida pela agência. Este comportamento “ajudou a desencadear a crise da dívida soberana da zona euro”, segundo a agência.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, reteve estes documentos depois de a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) terem decidido um pacote de 110 mil milhões de euros de ajuda aos gregos. O BCE não comentou aos jornalistas da agência a iniciativa da sua empresa.

Depois de o Partido Socialista grego ter ganho as eleições legislativas de Outubro do ano passado aos conservadores de direita, foi-se tornando gradualmente público que a situação das finanças do país era muito pior do que até aí se assumia.

O défice das contas do Estado de 2009 foi corrigido em alta várias vezes desde então e o valor da dívida pública disparou. Na Primavera, os juros da dívida do país dispararam e o Governo grego deixou de ter condições para se financiar nos mercados, o que acabou por levar à necessidade de ajuda externa.

A UE depende “de os Estados-membros adoptarem uma abordagem aberta e transparente em relação aos seus níveis de dívida. (…) Se a Grécia falhou em adoptar uma abordagem assim no passado, há obrigatoriamente um interesse público em que a informação relevante seja revelada”, diz a Bloomberg no seu processo. publico.pt, 22 dez

Nota: é importante saber-se como e até que ponto os "mercados" colaboraram na mentira grega e na crise do euro.

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