Avançar para o conteúdo principal
Estado perde milhões na compra de software

A denúncia parte da Associação de Empresas de Software Open Source Portuguesas (ESOP), que explicou à agência Lusa que em Portugal não há regulamentação sobre o uso das normas abertas e que a partir do momento em que o Estado usa software de proprietário isso traz prejuízos para os cofres estatais.

As normas abertas são «definições de formatos de ficheiros e protocolos de comunicação que permitem interligar sistemas de diferentes origens, marcas ou fornecedores», lê-se num comunicado da ESOP.

Em declarações à Lusa, o presidente da ESOP exemplificou que, caso a Internet não se baseasse em normas abertas, haveria «diferentes segmentos da Internet que tinham sido feitos com linguagens ou equipamentos distintos», o que faria com que deixasse de haver comunicações de uma cidade para outra ou de uma zona do país para outra.

«A partir do momento em que o Estado não está obrigado a trabalhar com as normas abertas, também o software que adquire não está em condições de boa concorrência e se o Estado trabalha com formatos proprietários, que dependem de um determinado vendedor, ele está automaticamente obrigado a comprar sempre dessa determinada marca e, por conseguinte, quando alguém está obrigado a comprar sempre a mesma coisa, esse produto pode ter um custo arbitrário», explicou Gonçalo Homem.

De acordo com o presidente da ESOP, e com base na opinião da comunidade científica, o Estado tem vindo «a pagar valores muitíssimo inflacionados pelo software que usa», porque está dependente dos formatos proprietários.

«Isso é que pode mudar, porque a partir do momento que usem as normas abertas vai começar a haver uma convergência dos preços e uma multiplicidade de soluções que o Estado pode escolher», sublinhou.

Gonçalo Homem adiantou que a falta de regulamentação sobre as normas abertas e o facto de o próprio Estado não optar por este software tem prejudicado também muitas empresas.

«Há muitas empresas que estão a usar software open source, algum do qual utiliza as tais normas abertas, e depois têm atritos na sua relação com o Estado quando o Estado as quer obrigar a usar formatos proprietários», revelou.

De acordo com Gonçalo Homem, o Estado tem gasto 160 milhões de euros por ano em software e o Orçamento do Estado para 2011 prevê subir este valor para 190 milhões de euros.

«Nós identificámos situações nas quais, se fossem consideradas todas as soluções de software disponíveis, poderiam conduzir a poupanças entre 50 a 70 por cento», revelou, ressalvando que isso não acontecerá em todas as situações.

No entanto, entende que, como essas situações ocorrem e «não estão a ser devidamente atendidas nas compras do Estado», uma solução seria o regulamento das normas abertas. sol.pt, 7 dez

Mensagens populares deste blogue

Polícias criminosos

Da Crise e dos Cortes

A Caixa Geral de Aposentações, a "segurança social" dos funcionários públicos, também paga pensões a reformados do setor privado, muitas delas milionárias.   No próximo mês de maio, por exemplo, começa a pagar uma reforma de 5000 euros a um dirigente de um externato particular, ao abrigo de uma lei antiga feita aprovar pelo então primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva. De acordo com a lista dos novos aposentados em maio, um ex-diretor pedagógico do Externato Marquês de Pombal Ensinus ficará com uma pensão de 5030 euros mensais brutos. Este estabelecimento pertence ao grupo Lusófona. jn.pt