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O país do fantásio

Parece que o ministro Amado quer que os EUA peçam desculpa se os "voos ilegais" forem provados. É fantásio! Todos pensavamos que o ministro sabia dos voos ilegais, mas, qual golpe de contorcionista, a culpa é toda desses sacanas dos imperialistas americanos que nada nos disseram, a nós, a amante falida e enganada.

Entretanto, algures no "país real", um conhecido que sabe do que fala, diz-me, "sabias que o teatro tal na cidade tal foi integralmente oferecido pelo consórcio tal que construiu o Centro Comercial tal, que entrou tudo como despesas da construção do Centro sendo impossível detectar a marosca, e que o xyz (o Presidente da Câmara que por acaso é do mesmo partido político do meu conhecido), meteu os milhões que recebeu da UE como comparticipação para o teatro, ao bolso?", ie, numa conta designada por um número numa dessas ilhas exóticas, acrescentando, "se disseres que fui eu quem te disse isto digo que que não bates bem, que estás completamente xoné, que interesse teria eu em dar tiros no próprio pé?" (isto rima caramba, estou a ficar poeta).

Mas não são necessárias as facturas das despesas da construção do Teatro, questiono, "isso foi tratado entre o xyz e o empreiteiro que construiu o Teatro", foi a resposta.

Muita atenção: tudo isto é ficção!

Nota: é surpreendente a quantidade de bibliotecas municipais novas construídas longe do centro das cidades, muitas ao lado de hipermercados e centros comerciais...


As riquinhas

Há pouco, enquanto estava a apanhar sol, comecei, por causa de um simpático gato que achava ser um castrato, a falar com uma rapariga que depois percebi ser estrangeira. Ela, desenvencilhada, pegou na cauda do gato e mostrou-me que não (não és castrato mas deves ser gay, pensei sem dizer).

Contou-me que está ao abrigo de um projecto europeu e que cada dia que passa se surpreende. Disse-me que os alunos portugueses não têm capacidade de concentração, que deixam tudo "para amanhã", que são meio estúpidos a línguas e a matemática, que pensam que a Hungria (nome fictício senão as senhorecas vão-lhe infernizar a vida até ao final do ano lectivo) fica ao lado da Inglaterra... nada que não se soubesse, mas, devido ao último PISA, ficou-se a achar que afinal isto não está tão mau.

Eu acho improvável que de um ano para o outro os alunos portugueses subam tanto, mas o PISA é que sabe, porque quem terá a última palavra não será o PISA mas o futuro.

Depois disse-me que as senhorecas portuguesas ficaram assombradas, hórrórizadas, porque ela vai a pé para a escola, que hórrór, my good, dois kilómetros, my dear, como consegues? e quando chóóve?!

É. As portuguesas e os portugueses são uns riquinhos. Não se percebe de onde lhes vem tanto dinheiro porque Portugal é um país pelintra com um sector terciário que sufoca tudo. Em vez de comprarem carros para elas e para os seus ricos filhinos, futuros/actuais portugueses superficiais e imbecis, deviam passar a andar a pé. Só lhes faria bem. Há demasiadas obesas e obesos em Portugal.

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Da Crise e dos Cortes

A Caixa Geral de Aposentações, a "segurança social" dos funcionários públicos, também paga pensões a reformados do setor privado, muitas delas milionárias.   No próximo mês de maio, por exemplo, começa a pagar uma reforma de 5000 euros a um dirigente de um externato particular, ao abrigo de uma lei antiga feita aprovar pelo então primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva. De acordo com a lista dos novos aposentados em maio, um ex-diretor pedagógico do Externato Marquês de Pombal Ensinus ficará com uma pensão de 5030 euros mensais brutos. Este estabelecimento pertence ao grupo Lusófona. jn.pt