Sector produtivo terá de reconquistar maior fatia
De Frankfurt a Berlim, há uma linha de comboio que nos transporta com atraso e até uma "inversão" de marcha inusitada que fez temer que não se chegasse ao destino (ao contrário do clima económico, o Inverno tem sido neste início de Dezembro excepcionalmente inclemente nestas paragens).
E há também uma linha de pensamento que atravessa o coração financeiro e político da Alemanha directa ao mesmo destino: o euro é para manter, custe o que custar, porque ninguém, a não ser um punhado de especuladores, tem a ganhar com o seu fim - muito menos a própria Alemanha.
Para lá chegar, há outras duas certezas partilhadas por banqueiros e políticos. A de que quem tem de mudar de vida são os países da periferia. É quem comprou com dinheiro que não tinha e fez investimentos de retorno duvidoso, à boleia da descida vertiginosa das taxas de juro que resultou da união monetária. Dito de chofre: portugueses, gregos, irlandeses e espanhóis vão ter de se convencer de que viverão, quanto muito, tão bem quanto a geração anterior, e preparar filhos e netos para a expectativa de que viverão pior do que eles.
Outra certeza é que a banca europeia será varrida por uma nova vaga de reestruturações que obrigará a uma mudança profunda e dolorosa das economias ocidentais: o sector produtivo (fundamentalmente a indústria) terá de reconquistar uma maior fatia da geração do emprego e da riqueza, simplesmente porque não é saudável, nem sustentável que os serviços, em particular os de intermediação financeira, sejam responsáveis por 60% do PIB e por tanto emprego de "colarinho branco". "Temos estado a construir castelos de areia, e o resultado está à vista", dizem-nos em Frankfurt. jornaldenegocios.pt, 13 dez
De Frankfurt a Berlim, há uma linha de comboio que nos transporta com atraso e até uma "inversão" de marcha inusitada que fez temer que não se chegasse ao destino (ao contrário do clima económico, o Inverno tem sido neste início de Dezembro excepcionalmente inclemente nestas paragens).
E há também uma linha de pensamento que atravessa o coração financeiro e político da Alemanha directa ao mesmo destino: o euro é para manter, custe o que custar, porque ninguém, a não ser um punhado de especuladores, tem a ganhar com o seu fim - muito menos a própria Alemanha.
Para lá chegar, há outras duas certezas partilhadas por banqueiros e políticos. A de que quem tem de mudar de vida são os países da periferia. É quem comprou com dinheiro que não tinha e fez investimentos de retorno duvidoso, à boleia da descida vertiginosa das taxas de juro que resultou da união monetária. Dito de chofre: portugueses, gregos, irlandeses e espanhóis vão ter de se convencer de que viverão, quanto muito, tão bem quanto a geração anterior, e preparar filhos e netos para a expectativa de que viverão pior do que eles.
Outra certeza é que a banca europeia será varrida por uma nova vaga de reestruturações que obrigará a uma mudança profunda e dolorosa das economias ocidentais: o sector produtivo (fundamentalmente a indústria) terá de reconquistar uma maior fatia da geração do emprego e da riqueza, simplesmente porque não é saudável, nem sustentável que os serviços, em particular os de intermediação financeira, sejam responsáveis por 60% do PIB e por tanto emprego de "colarinho branco". "Temos estado a construir castelos de areia, e o resultado está à vista", dizem-nos em Frankfurt. jornaldenegocios.pt, 13 dez