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O mal que vem de longe

Um estudo científico realizado por um catedrático português numa prestigiada universidade de Londres dá um novo - e preocupante - enquadramento a uma polémica que há longos anos é, por cá, empiricamente discutida: a dos "jobs for the boys", celebrizados numa frase enfática do então primeiro-ministro António Guterres. Trata-se de uma análise estatística/econométrica das contratações das empresas públicas portuguesas, desde 1980 até 2008, em que, nas palavras do autor, se encontram "grandes aumentos das contratações, tanto nos meses imediatamente antes das eleições legislativas, como nos meses imediatamente depois (neste último caso, só quando o Governo muda de cor política).

Em matéria de compadrio político não podia haver melhor indicador de que alguma coisa vai mal no sistema partidário - e não de hoje, mas desde cedo na democracia republicana. Quando a habitual discussão sobre os lugares para amigos políticos se alarga da administração directa do Estado para as empresas por ele tuteladas, podemos antever que a dimensão do problema é até superior à que, dia-a-dia, se vai discutindo no domínio público.

É que uma coisa é partir do pressuposto (como agora está estabelecido) de que na administração pública devem existir lugares de confiança política; outra é dizer que até as empresas públicas são usadas para colocar, em massa, pessoas da confiança política do partido no poder, antes que este mude de mãos- ou logo depois de ter mudado. Os tais "empregos para os rapazes", que a expressão em inglês celebrizou. dn.pt, 6 dez

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