Ética e estética
Robert Stam, no princípio do seu Film Theory (mais exactamente na página 11 da edição de 2007), questiona se é assim tão fácil separar a estética da ética e se um filme racista, ou fascista, como Birth of a Nation ou Triumph of the Will, pode ser, simultaneamente, uma "masterpiece" em termos artísticos e repugnante em termos ético/políticos.
Eu penso que o cinema, ao contrário da música instrumental e sinfónica, está irremediavelmente comprometido com o seu referente e a forma como o trata. No cinema, ao contrário da música, o conteúdo ético/político é determinante para a elaboração e a organização estrutural da obra.
De resto é necessário perceber-se que a própria definição e classificação do que é uma "obra-prima" varia com as culturas, as épocas históricas, as estéticas predominantes em cada época e cultura, e o ponto de vista do analista.
Basta pensar-se na 9ª sinfonia de Beethoven: para o "cidadão comum" (não falo dos americanos que pensam que Beethoven é um cão) aquela obra é um dos cumes da arte universal. Para muitos compositores e analistas a 9ª sinfonia é uma obra estruturalmente imperfeita, que ficou muito aquém da 5ª e especialmente da 7ª sinfonia.
Robert Stam, no princípio do seu Film Theory (mais exactamente na página 11 da edição de 2007), questiona se é assim tão fácil separar a estética da ética e se um filme racista, ou fascista, como Birth of a Nation ou Triumph of the Will, pode ser, simultaneamente, uma "masterpiece" em termos artísticos e repugnante em termos ético/políticos.
Eu penso que o cinema, ao contrário da música instrumental e sinfónica, está irremediavelmente comprometido com o seu referente e a forma como o trata. No cinema, ao contrário da música, o conteúdo ético/político é determinante para a elaboração e a organização estrutural da obra.
De resto é necessário perceber-se que a própria definição e classificação do que é uma "obra-prima" varia com as culturas, as épocas históricas, as estéticas predominantes em cada época e cultura, e o ponto de vista do analista.
Basta pensar-se na 9ª sinfonia de Beethoven: para o "cidadão comum" (não falo dos americanos que pensam que Beethoven é um cão) aquela obra é um dos cumes da arte universal. Para muitos compositores e analistas a 9ª sinfonia é uma obra estruturalmente imperfeita, que ficou muito aquém da 5ª e especialmente da 7ª sinfonia.