Avançar para o conteúdo principal
Os cinco milhões da Cinemateca de Lisboa

O facto da Mota-Engil e do BES, irem "sacar" (através da Ascendi que é comparticipada por ambos) do bolso dos contribuintes 737,9 milhões de euros, durante os próximos dois anos, não implica que não nos debrucemos sobre os cinco milhões que a Cinemateca de Lisboa, conhecida como Cinemateca Portuguesa, vai ganhar com o novo Orçamento.

Eu acho fantástico que haja dinheiro para o cinema quando já há gente a passar fome em Portugal! Mas a questão é que a Cinemateca, dita Portuguesa, está restrita a Lisboa e é dominada por lisboetas, nomeadamente o seu vice-presidente José Manuel Costa, que levou a aluna e aluno seus preferidos da Universidade Nova de Lisboa, onde dá aulas, com ele para a Cinemateca. Acho maravilhoso que os professores arranjem cargos e empregos para os alunos! Mas também há casos - pelo menos um - em que foram os ex-alunos a arranjar cargos para os ex-professores...

Quando a ex-ministra da cultura falou em criar uma delegação da Cinemateca no Porto foi literalmente enxovalhada! Um lisboeta, "comentador" nos jornais, escreveu que ela pensava que uma Cinemateca é juntar as amigas no "Bolhão" para tomar chá e ver uns DVD's, porque seria isso que iria acontecer. Ora o lisboeta levou-nos ao âmago da questão: o espólio da Cinemateca é do país, não de Lisboa, e as condições de armazenamento das bobines podem-se criar no Porto, ou em qualquer outro lugar no Norte, tal como se criaram em Lisboa. De resto o José Manuel Costa, que na Cinemateca era exactamente o responsável pelo arquivo, não é o único engenheiro químico deste país capaz de garantir as condições de armazenamento. O "comentador" referia que não era bom para as películas andarem "para cima e para baixo". Eu - já que chegamos a este ponto - também acho que não, apesar da Cinemateca receber e enviar regularmente bobines de e para outros países, que de resto é um intercâmbio normal e desejável entre as Cinematecas de todo o mundo.

A questão é que o Porto e o Norte merecem e têm direito a ter uma Cinemateca. O espólio da Cinemateca Nacional - que na prática é só de Lisboa - deve ser dividido com uma futura Cinemateca do Norte. E não será com o José Manuel Costa e seus ex-alunos a escolherem o que vai e o que fica.

Tudo isto porque os lisboetas não são - nunca foram nem nunca serão - os franceses, que com a Festa do Cinema Francês têm mostrado o que é um festival progressivamente descentralizado, sem as facilidades que tem uma instituição de carácter nacional.

Ha! Já que meti a "mão na massa": também acho que os festivais de cinema - que acontecem um após outro em Lisboa - deveriam perder os apoios do Estado se, pelo menos alguns, não tomarem a decisão de se sediarem no Norte do país.

Nota: para ser justo há que acrescentar que os alunos que o JMC meteu na Cinemateca são competentes e tiveram uma boa formação (eu conheço-os porque fomos da mesma turma nas aulas de História da Imagem e de Filmologia do JMC na FCSH). Nada (de nada) que ver com, por exemplo, o aluno que o ex-coordenador do departamento de artes da UTAD lá meteu a dar aulas de ensino da música... que possuia uma formação de 3 anos para ser professor primário e completou, num Instituto Piaget, um ano suplementar, adquirindo daquela forma o grau de licenciado. Depois foi fazer um doutoramento em ensino da música, em Espanha... sem conseguir ler ou tocar uma mera invenção de Bach a 2 vozes. * Tinha sido convidado pelo amigo coordenador para assistente, ficando posteriormente como professor. Uma carreira académica fulgurante...

* dizer que não necessita de saber ler uma partitura (muito simples como as invenções a duas vozes) porque vai ensinar os futuros professores do ensino básico, para os quais o importante é a "didática" e a "pedagogia", será afirmar-se que alguém que não possui as bases mais elementares pode ser um formador competente.

Mensagens populares deste blogue

Polícias criminosos

Da Crise e dos Cortes

A Caixa Geral de Aposentações, a "segurança social" dos funcionários públicos, também paga pensões a reformados do setor privado, muitas delas milionárias.   No próximo mês de maio, por exemplo, começa a pagar uma reforma de 5000 euros a um dirigente de um externato particular, ao abrigo de uma lei antiga feita aprovar pelo então primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva. De acordo com a lista dos novos aposentados em maio, um ex-diretor pedagógico do Externato Marquês de Pombal Ensinus ficará com uma pensão de 5030 euros mensais brutos. Este estabelecimento pertence ao grupo Lusófona. jn.pt