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Da absurdidade do "humanismo"

Heidegger, na "Carta sobre o Humanismo", afirma que a atrocidade faz parte da "humanidade do homem". A história humana é feita de atrocidades. Por iss, quando Kofi Annan diz que Assad perdeu a "humanidade" está redondamente enganado: Assad exerce a "humanidade" no sentido mais pleno e a comunidade internacional, tirando discursos de circunstância, permite-lhe exercer essa "humanidade".


Interessa pouco se a degolação das crianças é feita pelas forças de Assad ou pelos radicais islâmicos, tentanto com isso criar um clima internacional que conduza a uma intervenção exterior que os leve ao poder do qual não sairão tão cedo. Interessa é que temos "cidadãos" a degolarem os "rebentos" dos seus concidadãos.


Veja-se Portugal, na "Europa", na "Eurozona" até mais ver, em que "cidadãos" enganam brutalmente os seus concidadãos ao ponto de terem conduzido o país à falência, levando muitos dos seus concidadãos ao suicídio e criando uma situação de miséria para grande parte dos que restam. É isto assim tão diferente do degolo do inocentes na Síria? Pelos menos a Síria transformou-se no exemplo presente do que é de facto a "humanidade do homem", dando razão a Heidegger no que concerne às suas reflexões sobre o "humanismo". De alguma forma o silêncio (Heidegger remeteu-se ao silêncio durante o Holocaustro e a sua mulher era dirigente da juventude nazi) não é mais criminoso do que grito falsamente histérico (o "grito da histérica" é pelo menos genuíno) e sabidamente ("espertamente") ineficaz. Porque, dizia uma personagem de Fassbinder, quando a atrocidade atinge determinado limite já não interessa quem a iniciou mas sim acabar com ela.


O mais impressionante é a vanidade dos motivos que levam à atrocidade. Os portugueses - um povo substancialmente vigarista e trafulha a quem não é de todo seguro comprar um carro usado - apesar da sua "esperteza" continuam um povo desprezível e atrasado. Não creio que sejam substancialmente mais felizes do que no tempo em que caminhavam descalços... Talvez sejam mais infelizes agora, depois de décadas e décadas de "esquemas" e trafulhices a todos os níveis e em todas as camadas sociais. Claro que uns poucos se "amanharam" e esses não sendo talvez propriamente "felizes" vivem no fausto à custa da miséria dos outros. É isto assim tão diferente da Síria ou de qualquer outro país da "primavera árabe"? Qual será o grau de "felicidade" de Asma Assad ao encomendar roupas de luxo e jóias milionárias pela internet enquanto decorre um genocídio no seu país? 


Os mulçulmanos, que se matam uns aos outros devido à divisão entre chiitas e sunitas, fundam toda a sua crença num livro que consideram "sagrado", mas que carece de todo e qualquer fundamento histórico e "científico". Ou seja: toda a mortandade causada pelos mulçumanos tem por base uma narrativa que não tem qualquer suporte para além da crença.


Bibliografia: 


Crossroads to Islam - Yehuda D. Nevo & Judith Koren (Prometheus Books, 2003)

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