Sem título
Um dos livros que mais me marcou, no periodo pré-universitário, foi a Carta sobre o Humanismo, de Heidegger (o outro foi o Materialismo e Empiriocriticismo, do Stalin, que a muito custo acredito ter sido escrito por um estupôr como ele, e marcou-me porque o li com 14 anos. Agora, se o voltasse a ler, acha-lo-ia provavelmente simplificador e "raso" ou unidimensional).
Mas o Heidegger também é raso: a sua noção de "utensilidade", bem analisada e desmitificada por Pierre Bourdieu, mais não é do que a conceptualização, rebuscada, da condição humana transformada em utensílio do Estado, enquanto Ente de um Ser que se desvela na direccionalidade da história. Não! A mim esta poesia não convence.
A situação limite de Karl Jaspers é não só a tremenda atrocidade heidegeriana - que faz parte da Humanidade do Homem - como e principalmente as atrocidades que ao longo da história nós, aqueles que nos cremos artistas, somos obrigados - por convicção porque um artista não dá um passo se não crer que está a dar um passo nalguma direcção - não, não somos obrigados, mas implicamo-nos - por racional crença - em materializar.
Um dos livros que mais me marcou, no periodo pré-universitário, foi a Carta sobre o Humanismo, de Heidegger (o outro foi o Materialismo e Empiriocriticismo, do Stalin, que a muito custo acredito ter sido escrito por um estupôr como ele, e marcou-me porque o li com 14 anos. Agora, se o voltasse a ler, acha-lo-ia provavelmente simplificador e "raso" ou unidimensional).
Mas o Heidegger também é raso: a sua noção de "utensilidade", bem analisada e desmitificada por Pierre Bourdieu, mais não é do que a conceptualização, rebuscada, da condição humana transformada em utensílio do Estado, enquanto Ente de um Ser que se desvela na direccionalidade da história. Não! A mim esta poesia não convence.
A situação limite de Karl Jaspers é não só a tremenda atrocidade heidegeriana - que faz parte da Humanidade do Homem - como e principalmente as atrocidades que ao longo da história nós, aqueles que nos cremos artistas, somos obrigados - por convicção porque um artista não dá um passo se não crer que está a dar um passo nalguma direcção - não, não somos obrigados, mas implicamo-nos - por racional crença - em materializar.