Para Hannah Arendt o mal não era radical, era excessivo. Ao qual tinha de se opor um bem radical para o conseguir travar. Uma desobediência que pudesse romper a textura do respeitinho e dos pequenos poderes. E isso vale para os dias de hoje. Quando aqueles que nas suas folhinhas de Excel calculam os cortes sem ver que ceifam vidas, é preciso que alguém lhes desobedeça. Eles dizem para seu sossego que não fazem mais que cumprir ordens de alguém, seja a troika seja um grande outro qualquer. Mas aquilo que fazem é espalhar um mal embebido na normalidade de quem cumpre ordens burocráticas, como se fosse uma praga de cogumelos, como exemplificava Arendt. É preciso opor-lhes o pensamento. E isso custa mais que obedecer. Mas só isso faz a diferença.
Nas três instituições que disponibilizaram os valores em dívida, a verba chega aos 3,6 milhões de euros. Na Universidade do Minho, Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Coimbra há mais de 4500 antigos alunos em incumprimento. As universidades estão a cobrar uma taxa de juro de mora, aplicável às dívidas ao Estado, e cujo actual quadro legal fica em 1% ao mês, até um máximo de 7%. A Associação Académica de Coimbra defendeu um perdão de juros, mas a reitoria da universidade mais antiga do país recusa essa possibilidade . Mal ou bem os estudantes do ensino público disfrutam de um ensino subsidiado pelos contribuintes. O pagamento de propinas pode ajudar à clarificação do sistema de ensino superior em Portugal - onde existem cursos-lixo que seria bom para o país se desaparecessem definitivamente. Quanto aos juros, nos EUA, por exemplo, Obama está a tentar que os juros pagos pelos estudantes não voltem aos anteriores valores de cerca de 7% (exactamente!). Também está a zelar p...