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No extremo oposto... o Brasil...

No extremo oposto dos franceses, que aparentam o cacoete de intelectualizar até o banal, é impressionante como no Brasil tende-se a tudo vulgarizar, mantendo-se na superfície mesmo a mais relevante das discussões sobre o mais relevante dos problemas. Claro que não se pode afirmar que o Brasil seja vulgar ou que os brasileiros o sejam, mas fica a impressão de que as relações sociais se estabelecem nesses termos e só a corrente da banalização ganha corpo na imprensa, com seu típico papel de construção da realidade.

O Senador Cristóvam Buarque afirmou certa feita que o brasileiro "se alfabetiza" pela televisão, notadamente através das telenovelas. Nesse fértil terreno, não é de se estranhar como grassa a vulgaridade. Ante ao assassínio de uma criança, debate-se a pena de morte, a prisão, a atuação da justiça. Nada sobre a família e sua situação enquanto instituição.

Ante a prisão preventiva de empresários supostamente corruptores pela PF, debate-se o uso das algemas, nada sobre o modelo de capitalismo que aqui viceja. Sobre as abordagens marqueteiras que testemunhamos numa campanha eleitoral ou quanto ao nível dos debates televisivos pouco há que se acrescentar de tão rasteiros que são. É claro que idéias apenas não assentam um tijolo sequer. Mas em face de tal assertiva, não se demora ouvir: teoria não adianta, há que se resolver na prática. Mais vulgaridade... In blogdofernandomoraes.blogspot.com, 10 de Julho, 07:53

Comment: poderiamos, onde se lê Brasil, ler Portugal? Não creio... Em Portugal não vão presos: em Portugal pagam "coimas". É evidente que o post de acima revela um "eduquês", um "politicamente correcto", que em Portugal, e na Europa em geral, está a ser posto fatalmente em causa: a culpa é sempre do "sistema capitalista", os criminosos e os traficantes são sempre umas pobres vítimas, etc, etc, etc. Vitimizar e desculpabilizar é lindo, sobretudo para as élites que parecem querer dizer: vêm como nós nos interessamos e preocupamos com os pobres? Mas a verdadeira questão é (ou deveria ser): que instrumentos lhes forneceram, que educação e formação lhes deram, para que eles pudessem escapar à violência e à delinquência? Creio que no próprio Brasil, depois do filme Tropa de Élite ter ganho o Urso de Ouro do Festival de Berlim, as opiniões, entre as élites, porque são elas e unicamente elas que têm expressão pública (e blogs que são lidos), começaram a ser menos unânimes (claro...). Parece evidente que se não lhe tivesse sido autorgado um prémio europeu importante - do "primeiro mundo" que conta - o filme não só seria enxovalhado pelos politicamente correctos brasileiros - os mesmos que quando viajam pela Europa e pelos EUA se alojam nos hotéis de luxo para mostrarem que brasileiro também pode - como o cineasta José Padilha seria alvo de um segregacionismo que seria fatal para a continuação do seu trabalho. Pelo menos nisto Portugal e o Brasil são irmãos. Ou um é o pai - velho e caduco - e outro o rebento que acredita ser modernaço e avançado...

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