Contrastes: entonces y ahora
De Contrastes, Ciclo de Cinema Espanhol, que decorreu este fim de semana no Teatro São Jorge, em Lisboa, quero destacar dois trabalhos: La vida secreta de las palabras (2005), de Isabel Coixet, e Flores de Otro Mundo (1999), de Iciar Bollaín.
La vida secreta de las palabras possui um ritmo que foi trabalhado de maneira genial. A "revelação", que não imaginavamos que existisse, aparece inesperadamente, de forma chocante, e, posteriormente, ficamos a saber que foi uma revelação parcial (parcialidade dotada de força inhumana).
Trata-se de um quase tranquilo drama que, de repente, foi invadido por toda a tragédia da história europeia recente, desconhecida de nós. Desconhecida de nós porque nos foi escondida, dado que a ideologia do politicamente correcto só mostrou a face que quis mostrar. Os sérvios, sem dúvida agressivos e violentos, ficaram indignados com alguma razão (alguma, porque quem iniciou todas as atrocidade foram eles, os sérvios): os crimes por eles cometidos fizeram manchete em todo o mundo e os seus criminosos de guerra, os que foram apanhados, condenados pelo tribunal de Haia, mas as atrocidades vindas do outro lado, da comunidade mulçulmana, não foram publicitadas no Ocidente e os seus criminosos de guerra foram absolvidos. O filme, genial, não faz qualquer referenciação, e a vítima, uma das milhares, limita-se a dizer: "eram dos nossos... falavam a nossa língua..."
Flores de otro mundo mostra-nos uma aldeia galega que, para estancar a decadência, organiza anualmente bailes de solteiros aos quais vêm mulheres supostamente solteiras do resto de Espanha. Lá se vêm os pequenos dramas de aculturações e do choque de culturas distintas, tanto entre espanhóis (olas) como entre estes e @s imigrantes sul american@s. É um filme sociologicamente muito interessante e revelador: tem quase 10 anos, portanto há dez anos que os espanhóis mostram ser inteligentes ao perceberem que têm de se abrir ao mundo. Pelo menos ao mundo deles próprios e ao outro que ajudaram a empobrecer. E a solução, justíssima, é trazerem as mulheres. Que são sempre as primeiras vítimas da violência e da pobreza.
Outro trabalho a ver é Los Santos Inocentes (1984), de Mario Camus, que retrata realisticamente, com alguns rasgos surrealistas porque a realidade é surreal, o feudalismo espanhol dos meados do século vinte, nos campos espanhóis (que não deverá divergir da miséria humana, a começar pelos grandes proprietários rurais, que se poderia encontrar em Portugal).
Da Madeira... o Bocassa
Em 1992, o deputado Jaime Gama comparou o presidente A. Jardim, da Região Autónoma da Madeira, a Bocassa.
Bocassa governou a República Centro-Africana entre 1966 e 1977, na sequência de um golpe militar. Foi acusado de ter realizado as maiores atrocidades contra os seus adversários políticos. Mandou massacrar, torturar e assassinar. Também foi acusado de canibalismo. Proclamou-se imperador.
Foi com este bárbaro que Jaime Gama comparou o presidente A. Jardim, há dezasseis anos.
Agora, o mesmo Jaime Gama, e, desta vez, com a responsabilidade acrescida de ser presidente da Assembleia da República, fez um elogio público e formal à mesma personagem e apresentou-a como um exemplo supremo de político combativo. Isto é, um modelo, uma referência a seguir.
Há comportamentos políticos para os quais não é possível encontrar adjectivação adequada e, ao mesmo tempo, publicável. Este é um deles. In oestadodaeducacao.blogspot.com, 13 de Julho
De Contrastes, Ciclo de Cinema Espanhol, que decorreu este fim de semana no Teatro São Jorge, em Lisboa, quero destacar dois trabalhos: La vida secreta de las palabras (2005), de Isabel Coixet, e Flores de Otro Mundo (1999), de Iciar Bollaín.
La vida secreta de las palabras possui um ritmo que foi trabalhado de maneira genial. A "revelação", que não imaginavamos que existisse, aparece inesperadamente, de forma chocante, e, posteriormente, ficamos a saber que foi uma revelação parcial (parcialidade dotada de força inhumana).
Trata-se de um quase tranquilo drama que, de repente, foi invadido por toda a tragédia da história europeia recente, desconhecida de nós. Desconhecida de nós porque nos foi escondida, dado que a ideologia do politicamente correcto só mostrou a face que quis mostrar. Os sérvios, sem dúvida agressivos e violentos, ficaram indignados com alguma razão (alguma, porque quem iniciou todas as atrocidade foram eles, os sérvios): os crimes por eles cometidos fizeram manchete em todo o mundo e os seus criminosos de guerra, os que foram apanhados, condenados pelo tribunal de Haia, mas as atrocidades vindas do outro lado, da comunidade mulçulmana, não foram publicitadas no Ocidente e os seus criminosos de guerra foram absolvidos. O filme, genial, não faz qualquer referenciação, e a vítima, uma das milhares, limita-se a dizer: "eram dos nossos... falavam a nossa língua..."
Flores de otro mundo mostra-nos uma aldeia galega que, para estancar a decadência, organiza anualmente bailes de solteiros aos quais vêm mulheres supostamente solteiras do resto de Espanha. Lá se vêm os pequenos dramas de aculturações e do choque de culturas distintas, tanto entre espanhóis (olas) como entre estes e @s imigrantes sul american@s. É um filme sociologicamente muito interessante e revelador: tem quase 10 anos, portanto há dez anos que os espanhóis mostram ser inteligentes ao perceberem que têm de se abrir ao mundo. Pelo menos ao mundo deles próprios e ao outro que ajudaram a empobrecer. E a solução, justíssima, é trazerem as mulheres. Que são sempre as primeiras vítimas da violência e da pobreza.
Outro trabalho a ver é Los Santos Inocentes (1984), de Mario Camus, que retrata realisticamente, com alguns rasgos surrealistas porque a realidade é surreal, o feudalismo espanhol dos meados do século vinte, nos campos espanhóis (que não deverá divergir da miséria humana, a começar pelos grandes proprietários rurais, que se poderia encontrar em Portugal).
Da Madeira... o Bocassa
Em 1992, o deputado Jaime Gama comparou o presidente A. Jardim, da Região Autónoma da Madeira, a Bocassa.
Bocassa governou a República Centro-Africana entre 1966 e 1977, na sequência de um golpe militar. Foi acusado de ter realizado as maiores atrocidades contra os seus adversários políticos. Mandou massacrar, torturar e assassinar. Também foi acusado de canibalismo. Proclamou-se imperador.
Foi com este bárbaro que Jaime Gama comparou o presidente A. Jardim, há dezasseis anos.
Agora, o mesmo Jaime Gama, e, desta vez, com a responsabilidade acrescida de ser presidente da Assembleia da República, fez um elogio público e formal à mesma personagem e apresentou-a como um exemplo supremo de político combativo. Isto é, um modelo, uma referência a seguir.
Há comportamentos políticos para os quais não é possível encontrar adjectivação adequada e, ao mesmo tempo, publicável. Este é um deles. In oestadodaeducacao.blogspot.com, 13 de Julho