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Os professores portugueses manifestaram-se nas ruas de Lisboa, ontem 8 de Novembro, contra o presente modelo avaliativo, contra o modelo de gestão em vigor e contra o Estatuto da Carreira Docente. Os comentadores do costume apareceram como habitualmente a dizer cobras e lagartos, ignorando que as causas da decadência de Portugal, que muitos acreditam ser definitiva, residem em factores que nomeadamente o actual modelo avaliativo agravou. Poucos dias antes da manifestação um pai agrediu um professor deixando-o inconsciente. Onde se viu algo assim? Em lugares onde a brutalidade e as armas se transformaram em lei. Portugal a continuar assim - com os seus comentadores do costume co-responsáveis pelo estado de um país cada vez mais deprimido e estupidificado a atacarem os professores, como se fossem estes os principais culpados do estado de coisas em Portugal e como se a sua avaliação fosse o cerne da resolução dos problemas estruturais do país - arrisca-se a morrer ao sol. Na praia, com muito sol, seguramente, mas provavelmente uma morte cinzenta. Seria interessante se não esquecessem, por exemplo, o "teste do telemóvel", que revelou os portugueses como sendo os menos honestos entre todos os habitantes dos países analisados e cujos resultados foram divulgados em todo o mundo. A culpa é dos professores? Será talvez culpada uma certa "filosofia educativa" que desgraçadamente continua a determinar o triste destino de um país cada vez mais imbecilizado e menos educado. Os professores, uns mais que outros, terão a sua quota parte de responsabilidade, mas são os "especialistas" quem inventa os sistemas de ensino e os adopta.

Tambem é dos professores a culpa das empresas portuguesas serem, grosso modo, mal geridas, não terem competitividade internacional e subsistirem frequentemente na base de monopólios e redes de interesses que são o oposto do tão proclamado "mercado livre" que, enfim, deu no que ainda não sabemos, embora saibamos, tenuamente, dos biliões (na realidade triliões...) que os cofres públicos perderam até agora (e vão continuar a perder)? Que seria de Portugal se não estivesse dentro da "zona euro"? E a culpa seria dos professores do ensino básico e secundário?

Nota: seria bom que os sindicatos portugueses fossem capazes de não hostilizarem mas apoiarem iniciativas genuínas, reveladoras da capacidade das pessoas pensarem e agirem autonomamente. Pena que aparentemente não tenham essa capacidade. Estarão com mêdo de perderem o controle do "rebanho"? Ou simplesmente a livre iniciativa e a auto-determinação não fazem parte dos respectivos programas?

Nota 2: tantos ataques ao sistema anterior (que funcionava devidamente pois os grandes problemas do ensino em Portugal são devidos à "filosofia educacional" e não ao modelo de gestão que existia) leva-nos a pensar que muito boa gente andava "raivosa" devido ao facto do sistema de concursos nacionais, e outros automatismos, impedirem a "dona cunha" de dominar o sistema educativo como domina outras áreas da sociedade portuguesa.

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