O lixo que fala, a "dinâmica de Lisboa" (*), o outro racismo, as gerações dos rufias e o insulto dos insultos
Ao levantar dinheiro na caixa multibanco de um pingo doce, em Lisboa, ouvi um segurança, obeso e aberrante, dizer a um e uma agentes da PSP: "em Israel ou lá onde é cortam-lhes as mãos, aqui não lhes cortam nada". Estaria a referir-se a eventuais ladrões de iogurtes e a barbaridade do raciocínio fala por si. Obviamente que tal lixo não sabe que Israel é uma democracia e que tal punição nem existe nem sequer é equacionável. Talvez o lixo falante estivesse a pensar na Arábia Saudita, algo que ouviu... Na realidade, a par dessas barbaridades o sistema também permite transformar, caso aprouvesse a alguém da realeza, tal lixo falante num fertilizante natural a espalhar numa qualquer horta biológica, num arranha céus com a última tecnologia... Esse sistema, que não é em Israel, permitiria à sociedade desembaraçar-se de lixos falantes, que lá nem votam nem falam alto, mas tudo tem um reverso e o reverso é, por exemplo, a forma como o príncipe herdeiro mandou cortar ás fatias Jamal Khashoggi, que escrevia para um importante jornal americano, num país terceiro. Se o fizeram fora de portas (sendo certo que uma embaixada é em termos de direito internacional território do país que representa), com grande destreza e à vontade, como será dentro... Por estas e outras faço as compras nos supermercados das cadeias francesas, na vizinhança. Todos sabemos que a Jerónimo Martins paga os impostos na Holanda, além de que do meu dinheiro não pagarão salários a "seguranças" privados e qualquer establecimento com seguranças privados é local a evitar, pois (ressalvem-se as boas exceções) quando não são imbecis destes, são outros ainda piores: "seguranças" frequentadores dos ginásios, tatuados, que intimidam os clientes. É disfuncional, como tudo na tugolândia. Em Londres, os seguranças vêm-se nas casas de diamantes e alta joalharia. Neste lugar aberrante estão nos establecimentos que vendem comida...
A "dinâmica de Lisboa" é uma dinâmica macabra. A especulação no alojamento é brutal e terceiro-mundista, sendo o direito à habitação como direito básico, talvez o mais básico, totalmente espezinhado por um executivo camarário "socialista". A "classe média", para os programas de alojamento promovidos pela câmara, é aquela que pode pagar rendas acima dos 500 euros, onde encaixam maravilhosamente assessor@s e outra "boyzada". O resto que viva em quartos escandalosamente caros, em apartamentos apinhados de estranhos. Há idosos a dormir na rua e com o inverno, convenientemente para a câmara e o Governo, o covid19 "limpará" as ruas lisboetas desta má imagem. Se fosse no Brasil seria genocídio, neste lugar podre, profundamente perverso e hipócrita, será só um dano colateral.
(*) termo usado há anos pelo presidente da câmara no seu discurso de encerramento das conferências de Lisboa, na Gulbenkian.
No centro comercial Acqua, na avenida de Roma, ao sair, vi um negro enorme a mandar um mendigo sair do resguardo da entrada do dito centro. Fiquei indignado e, informado de que administração do referido espaço é noutro lugar, pedi para falar com a gerente do supermercado que lá existe. Entretanto vi que um segurança privado, enorme e negro, se tinha vindo colocar junto a mim, o que me pareceu deliberadamente intimidatório. Já com a gerente ao lado, o referido segurança pôs-se a arguir que um dos mendigos tinha tentado agredir alguém e tocou-me no braço ao que retorqui imediatamente para não voltar a repetir, que nem limpadores de retretes nem seguranças privados representam qualquer autoridade neste país e que a autoridade última é a d@s juíz@s, que são @s únic@s que podem decidir que um mendigo determinado (e não todos os mendigos) não pode estar em determinados espaços. O que eu assisti foi a uma atuação de brutalidade, relativa ao mendigo que se tentava abrigar do frio, uma tentativa de intimidação em relação à minha pessoa, e um toque físico no meu braço despropositado e ilegal (pelo mesmo segurança que explicava a suposta "agressão" de um outro mendigo a um/a cliente, como uma aproximação excessiva, sem que, segundo o mesmo segurança, tenha havido qualquer contato).
Se aos mendigos um Estado minimamente sério garantiria abrigo e alimentação, vê-se que as gerações que cresceram a insultar os professores, protegidas pela "pedagogia" e pelas "ciências da educação", são agora uma corja de rufias que mais dia menos dia obrigarão à instituição de Estado fortemente policial. Por isso o recrutamento para as forças de segurança tem de ser triplamente rigoroso. A diversidade étnica poderá ajudar a apurar a sua qualidade, mas muito especialmente a igualdade em número de homens e mulheres, em todos os escalões, poderá impedir a chicoespertice de as minar e perverter.
Um insulto dos insultos? Jardim Gonçalves, que se auto-atribuiu uma "compensação" de 40 milhões de euros, mais guarda-costas, mais uso de avião privado duas vezes por ano (ainda que dos 40 milhões pudesse ter comprado o seu próprio jato privado...), mais 170 mil euros mensais vitalícios! Alguém fala nisto? Claro que não. "Business as usual", no terceiro-mundo.