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"Os bem-educados contradizem outras pessoas. Os sábios contradizem a si mesmos"

Zizek chama o garçom e pede chocolate quente, Diet Coke e muito açúcar ("sou diabético"). Está desapontado, me diz entre parênteses, porque não estamos fazendo a entrevista no adjacente bar Virginia Woolf, que serve hambúrgueres. "Como seria um hambúrguer Virginia Woolf?", indaga. "Ressecado, coroado com salsinha, totalmente superestimado. Eu sempre preferi Daphne du Maurier." Então, ele se lança em uma crítica às pretensões de James Joyce, argumentando que a carreira literária de Joyce desandou depois de "Dublinenses", e, em seguida, em um panegírico ao minimalismo radical de "Not I", de Samuel Beckett. Dentro de minutos, já passamos para as visões do filósofo alemão Peter Sloterdijk sobre o milagre econômico da Malásia, as perspectivas do curso de teoria do cinema que Zizek vai dar em Ramallah e a produção feita por Katarina Wagner de "Die Meistersinger von Nürnberg" (os mestres cantores de Nuremberg), em que Hans Sachs é retratado como um nazista saudador de Hitler. Como leitor ou entrevistador de Zizek, a tarefa que nos cabe é rapidamente construir uma rede de pontes suspensas mentais para interligar os territórios intelectuais dele, aparentemente autônomos.

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