Foi Sílvio Teixeira quem criou pela primeira vez, em Vila Real, uma indústria com "tecnologia de ponta", a fábrica de lentes oftálmicas, "Polo", que, na época em que Sílvio Teixeira a dirigiu, exportava o grosso da sua produção para a Alemanha, de onde o "sócio capitalista" (que avançou o "capital" e como tal proprietário da empresa) era originário. Sílvio Teixeira conseguiu, dessa maneira, criar cerca de 150 postos de trabalho (a fábrica funcionava ininterruptamente com três turnos de operários) industriais, muito bem remunerados para a época, em Vila Real, num tempo em que aquela cidade era basicamente uma comunidade rural, com uma fábrica rudimentar de tijolos... A Assembleia Municipal de Vila Real, no seu voto de pesar, esqueceu essa contribuição de Sílvio Teixeira para o emprego, o bem estar e o desenvolvimento de Vila Real (diga-se de passagem que o "bom povo" vilarealense tratou indecentemente o maior criador de postos de trabalho permanente, de elevado nível tecnológico e elevada remuneração, daquela cidade). Sílvio Teixeira, já idoso e doente, doou todo o recheio do Jornal do Norte - que criou e dirigiu durante décadas - à Câmara Municipal de Vila Real, tendo sido rececionado unicamente um computador dos anos 80 do século anterior e umas fotografias... Sílvio Teixeira sofreu maus tratos do seu filho Joaquim, que foi condenado no processo 402/12.0PBVRL. Sílvio Teixeira abandonou um lugar na administração pública, no Porto [onde teve o privilégio de escutar ao vivo nomes como Artur Rubinstein e David Oistrakh, nomeadamente, no tempo em que o Teatro Rivoli constava nas agendas das digressões dos grandes génios da interpretação musical], para voltar à sua terra natal, acedendo à vontade dos pais, e nesta, abandonou o lucrativo negócio familiar [os pais de Sílvio Teixeira abriram a primeira ourivesaria da cidade e a sua mãe, já viúva, para atender a serviços básicos inexistentes, criou a primeira casa de óptica oftálmica daquela cidade, tendo sido Silvio Teixeira o primeiro técnico oftálmico em Vila Real, que formou toda a geração seguinte] para fundar a referida "fábrica das lentes", ficando-se assim com uma ideia da ingénua dedicação de Sílvio Teixeira à cidade que o viu nascer e pela qual se bateu até ao final dos seus dias. Quando se escapou do hospital-prisão, para onde o pai de ambos conseguiu que fosse transferido (se assim não fosse teria perecido no campo de concentração do Tarrafal), a primeira pessoa que Joaquim de Sousa Teixeira (Comendador, agraciado com as insígnias da Ordem da Liberdade) procurou, foi o seu irmão Sílvio. Sílvio Teixeira também concebeu e produziu medalhas, nomeadamente a medalha em que homenageou o artesanato tradicional de Bisalhães (assinada pelo artesão que executou o modelo em barro, de acordo com as indicações que Sílvio Teixeira lhe forneceu. Sílvio Teixeira desvelou uma vez mais a sua grande personalidade, ao não colocar, nesta e em todas as medalhas que produziu, qualquer referência à sua pessoa).


