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Dos africanismos

A activista angolana Laurinda Gouveia lembra-se da hora em que começou. E de quando terminou. Lembra-se aproximadamente, porque chegou a perder os sentidos ao longo das duas horas em que foi espancada e torturada por elementos da polícia nacional e dos Serviços de Inteligência e da Segurança do Estado (SINSE) de Angola.

Foi algemada para não poder defender-se, descreve a própria num vídeo que circula na Internet, onde também foram publicadas fotografias dos hematomas e ferimentos que lhe marcam o corpo. “Quando começou, eram 16h. E só terminaram às 18h”, diz a estudante de 26 anos sobre a tortura de que foi vítima. O caso também é denunciado no site de notícias Maka Angola, do activista Rafael Marques.

No vídeo, a estudante do 2.º ano de Filosofia da Universidade Católica de Angola conta que, durante as duas horas ininterruptas em que foi espancada, várias vezes pediu perdão, “por não aguentar mais”. Um oficial respondeu-lhe: “Essas histórias de desculpas vieram tarde de mais. Você tem que nos prometer aqui, agora, que nunca mais vai participar em nenhuma manifestação.”

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