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Estranha forma de vida

Costa evitou durante quase um ano qualquer consequência da informação que tinha em mãos: Queiroz Pereira dera-lhe um dossier escaldante sobre Ricardo Salgado e o contabilista da operação do Grupo no Luxemburgo prestara depoimento garantindo que desde 2008 as contas não batiam certo. Mais, há dois anos que se sabia da comissão angolana que Salgado se esqueceu de declarar no IRS (não era isso bastante para a ação da supervisão?). Foi preciso o colapso dos pagamentos e a zanga da família para que o Governador afastasse a administração e declarasse agora que nem renovaria a licença bancária a Salgado – pelos factos de que tem conhecimento há um ano.

Carlos Costa, escolhido para o Banco de Portugal por Sócrates, tem um passado ilustre na banca, que conhece como ninguém: foi diretor geral do BCP, responsável pela área internacional (2000–2004), precisamente quando se dançava o tango das offshores. Testemunha nesse processo judicial, Costa não respondeu ao Ministério Público quando lhe foi perguntado se não tinha sabido de nada ou se era como um fiel de armazém, que se limitava a assinar a encomenda. Agora, como guarda-noturno da banca, também não viu o crime e, quando ouviu o alarme, tardou em agir.

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Da Crise e dos Cortes

A Caixa Geral de Aposentações, a "segurança social" dos funcionários públicos, também paga pensões a reformados do setor privado, muitas delas milionárias.   No próximo mês de maio, por exemplo, começa a pagar uma reforma de 5000 euros a um dirigente de um externato particular, ao abrigo de uma lei antiga feita aprovar pelo então primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva. De acordo com a lista dos novos aposentados em maio, um ex-diretor pedagógico do Externato Marquês de Pombal Ensinus ficará com uma pensão de 5030 euros mensais brutos. Este estabelecimento pertence ao grupo Lusófona. jn.pt