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A questão ucraniana e as "manipulações externas"

Quando um povo se levanta em armas contra um governo corrupto e mafioso são  liminarmente irrelevantes as supostas ideologias que se pensa que existem por detrás do movimento de luta armada. Trata-se basicamente de um povo que arrisca seguir a via, legítima, das armas (improvisadas), contra um Estado Corrupto e Ilegítimo (a partir de determinado nível de corrupção, eleito ou não, o regime é ilegítimo porque desvia os recursos dos contribuintes em proveito das máfias particulares que controlam o Estado), é um povo que merece admiração e, sobretudo, apoio continuado e sustentado.

Concerteza que na revolução russa de 1917 nem todos partilhavam da mesma ideologia. Mas todos partilhavam a vontade de eliminar um regime que se tinha tornado ilegítimo pelas atrocidades cometidas. A legitimidade não advém das eleições mas da maneira que um povo se reconhece, ou não, no regime que vigora. No caso da Ucrânia é dever de todos os democratas e progressistas apoiarem a guerra do povo ucraniano contra um Estado Corrupto e Mafioso. Só posteriormente é que os ucranianos irão decidir o regime que de facto desejam, porque os ucranianos querem sobretudo acabar com a grande corrupção de Estado, como todos os povos da Europa, especialmente os do Sul da Europa que viram as suas vidas arruínadas não pelos "mercados" no abstrato (a desculpa usada pelos responsáveis pela falência desses países) mas pela grande corrupção de Estado (também financeira, executada pelos corruptos de Estado e da finança nacionais, evidentemente apoiados em grupos internacionais e nas off-shores) que grassou, e continua, durante décadas e décadas de suposta democracia. Porque a história dos juros é uma história posterior à corrupção de Estado que conduziu os países à falência e, que deve, obviamente ser renegociada (os juros e a dívida). Mas para que tal aconteça com sucesso, primeiro é preciso julgar, encarcerar e penhorar os bens dos corruptos que arruinaram os países, e arranjar mecanismos de controle eficazes que impeçam que no futuro volte a acontecer o mesmo.

Quando a atrocidade chega a determinado nível, primeiro há que acabar com ela, utilizando todos os meios, e só posteriormente é que se discutem as vias possíveis dentro da desejada não atrocidade. Dizer que há manipulação internacional quando o que de acontece é o levantamento de um povo contra um regime aberrante, é ignorar o essencial porque qualquer revolução se apoia nos contextos possíveis e por vezes os contextos possíveis implicam "alianças com o diabo". E nem vale a pena ir à história buscar exemplos escandalosos, vergonhosos diria, por parte de gente com altas responsabilidades, cheia de teoria e de princípios proclamados.

Se os ucranianos odeiam tudo o que esteja relacionado com "comunismo" tal não se deve a serem de "extrema-direita" mas aos erros dos próprios comunistas que deixaram o sistema, dito "socialista", corromper-se e degradar-se ao ponto de cair por si mesmo e ser substituído pela máfia, parte da qual detinha postos de comando no tempo da URSS. Ou seja: boa parte da máfia corrupta e criminosa que domina a Ucrânia de hoje - máfia essa agora designada como "capitalista selvagem" - são descendentes diretos de gente que teve altas responsabilidades no tempo da URSS. Por isso se houve erros fulcrais foram da parte dos "comunistas" e do "poder comunista" (parte desses ex-comunistas e seus descendentes, transformados repentinamente em capitalistas selvagens, não passam de meros mafiosos e criminosos, de meros bandidos que controlaram e continuam a controlar o Estado e a escravizar os seus cidadãos, bandidos esses que acabarão, muito justamente, como o ex-líder líbio e como o psicopata Ceaucescu, na Roménia *) e não das ideologias que superficialmente se podem querer ver por detrás de um movimento genuinamente popular, consistente, corajoso e legítimo, que é a expressão extrema da revolta de um povo totalmente farto de máfias e da brutal corrupção de Estado. A corrupção de Estado conduz os cidadãos ao desespero. Entre cidadãos que morrem a lutar contra os Estados Corruptos e Mafiosos e estes, apoio os primeiros, embora não condene os segundos (que são exemplares do grau de desespero a que pode conduzir a miséria causada pela Corrupção de Estado). Sobretudo, quando se trata da Ucrânia, há que ter em conta isto.

* temos um Putin, mafioso típico, que arranjou maneira de se eternizar no poder e mantém um regime interno despótico e absolutamente corrupto, a querer criar (forçar) uma "união euroasiática". (isso já não é manipulação externa?) (quanto à "baronesa", claro que é uma figura patética, duplamente patética na verdade, símbolo do "chico-espertismo" dos britânicos, que estão dentro da UE para o que lhes convém e fora para o que não lhes interessa, nomeadamente têm impedido um controle mais apertado dos mercados financeiros, vão fazer um referendo para abandonarem a dita UE, mas conseguiram que a "alta representante" internacional da dita cuja UE fosse uma deles!)

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