o problema da desigualdade coloca-se muito para além da questão da eliminação da pobreza absoluta – tem que ver com a necessidade de preservação de uma noção comum de cidadania. Se o fosso entre ricos e pobres se acentuar excessivamente as pessoas tenderão a viver vidas cada vez mais separadas, pondo em causa a permanência de um espaço público imprescindível à convivência democrática. Uma sociedade em que os ricos vivam em condomínios fechados, recorrendo a hospitais privados e enviando os seus filhos para escolas elitistas, e onde os pobres recorram à oferta pública nas mais diversas áreas deixa de ser uma sociedade verdadeiramente democrática. O que Michael Sandel diz é algo de uma enorme actualidade: a absoluta mercantilização da vida gera desigualdades relativas que põem em causa o essencial do próprio património democrático liberal do Ocidente.
Nas três instituições que disponibilizaram os valores em dívida, a verba chega aos 3,6 milhões de euros. Na Universidade do Minho, Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Coimbra há mais de 4500 antigos alunos em incumprimento. As universidades estão a cobrar uma taxa de juro de mora, aplicável às dívidas ao Estado, e cujo actual quadro legal fica em 1% ao mês, até um máximo de 7%. A Associação Académica de Coimbra defendeu um perdão de juros, mas a reitoria da universidade mais antiga do país recusa essa possibilidade . Mal ou bem os estudantes do ensino público disfrutam de um ensino subsidiado pelos contribuintes. O pagamento de propinas pode ajudar à clarificação do sistema de ensino superior em Portugal - onde existem cursos-lixo que seria bom para o país se desaparecessem definitivamente. Quanto aos juros, nos EUA, por exemplo, Obama está a tentar que os juros pagos pelos estudantes não voltem aos anteriores valores de cerca de 7% (exactamente!). Também está a zelar p...