Cortes entre os 3,5 e os 10 por cento
No próximo ano, os salários da função pública acima dos 1500 euros terão cortes entre os 3,5 e os 10 por cento, uma medida inédita em Portugal, e todas as pensões ficarão congeladas. Nos impostos, o IVA passa de 21 para 23 por cento e o Governo avança com o corte das deduções no IRS.
Nota: o corte das deduções no IRS na presente situação é correcto, especialmente nos produtos financeiros (PPR's etc), pois só quem tem, ou a quem sobra suficiente dinheiro, é que os pode comprar.
Acabar-se com a acumulação de pensões com as remunerações por cargos públicos ou/e políticos é absolutamente justo e só peca por acontecer quando o país está literalmente com a "corda ao pescoço".
Já o corte nos salários é pouco razoável: uns poucos andaram a destruir o país - pela corrupção ou pela má gestão (que genericamente resulta no mesmo) - e agora são os funcionários públicos que vão pagar por esses crimes que mereceriam julgamento e condenação (pagar duplamente porque o aumento do IVA vai implicar o aumento do custo de vida)? (já a redução nos salários de topo - e nas aposentações "douradas" - é mais aceitável, dada a grande diferenciação, em Portugal, entre os rendimentos mais baixos e os mais elevados)
No que toca aos principais sorvedouros dos dinheiros públicos há que perguntar: 1) num país onde "há mais chefes que índios" qual a percentagem de cargos de chefia, ou equiparados, que vão desaparecer?
2) qual a percentagem de empresas, fundações e institutos, que vivem do Orçamento, vão ser liquidadas ou privatizadas (genericamente sou de "esquerda" mas sou totalmente a favor da privatização desse elefante branco chamado RTP), e exactamente quanto é que as que ficam vão "emagrecer"?
O Preço da Irresponsabilidade
Sob o título “O Preço da Irresponsabilidade”, o economista Álvaro Santos Pereira lança, no seu blogue pessoal, um ataque cerrado às medidas de austeridade ontem anunciadas por José Sócrates e Teixeira dos Santos.
Santos Pereira começa por referir que estas medidas “poderiam ter sido perfeitamente evitadas se o governo já tivesse anteriormente atacado o crescimento explosivo da despesa pública”.
Acusa o governo de ter adiado os cortes na despesa pública e de ter encoberto a verdadeira situação das contas públicas “por razões eleitorais”.
O economista centra-se depois no ministro Teixeira dos Santos, acusando-o de ter “feito todos os possíveis e impossíveis para ocultar o verdadeiro estado das contas públicas nacionais e de omitir os encargos da dívida pública indirecta (das empresas públicas) e dos encargos com as parcerias público-privadas”.
"ainda não está assegurado o cumprimento"
O Barclays Capital analisou hoje o pacote de austeridade apresentado pelo Governo português, afirmando que contém medidas orçamentais “draconianas” para 2011 que constituem um risco para as projecções económicas para o próximo ano.
“Face a um aperto orçamental tão draconiano e ao elevado diferencial entre as ‘yields’ das obrigações e o crescimento nominal do PIB, acreditamos que há o perigo de a economia entrar de novo em recessão, o que implica revisões em baixa para as projecções actuais”, afirma a equipa de economistas do Barclays, lembrando que o Governo estima um crescimento de 0,5% no PIB.
Quanto a este ano, o banco de investimento diz que ainda não está assegurado o cumprimento do défice deste ano, de 7,3% do PIB. “Mesmo com a integração do fundo de pensões da Portugal Telecom, ainda vemos como desafiante para o Governo descer o défice para 7,3% este ano”, uma vez que na primeira metade do ano o défice representou 9,5% do PIB, refere o Barclays Capital.
No próximo ano, os salários da função pública acima dos 1500 euros terão cortes entre os 3,5 e os 10 por cento, uma medida inédita em Portugal, e todas as pensões ficarão congeladas. Nos impostos, o IVA passa de 21 para 23 por cento e o Governo avança com o corte das deduções no IRS.
Nota: o corte das deduções no IRS na presente situação é correcto, especialmente nos produtos financeiros (PPR's etc), pois só quem tem, ou a quem sobra suficiente dinheiro, é que os pode comprar.
Acabar-se com a acumulação de pensões com as remunerações por cargos públicos ou/e políticos é absolutamente justo e só peca por acontecer quando o país está literalmente com a "corda ao pescoço".
Já o corte nos salários é pouco razoável: uns poucos andaram a destruir o país - pela corrupção ou pela má gestão (que genericamente resulta no mesmo) - e agora são os funcionários públicos que vão pagar por esses crimes que mereceriam julgamento e condenação (pagar duplamente porque o aumento do IVA vai implicar o aumento do custo de vida)? (já a redução nos salários de topo - e nas aposentações "douradas" - é mais aceitável, dada a grande diferenciação, em Portugal, entre os rendimentos mais baixos e os mais elevados)
No que toca aos principais sorvedouros dos dinheiros públicos há que perguntar: 1) num país onde "há mais chefes que índios" qual a percentagem de cargos de chefia, ou equiparados, que vão desaparecer?
2) qual a percentagem de empresas, fundações e institutos, que vivem do Orçamento, vão ser liquidadas ou privatizadas (genericamente sou de "esquerda" mas sou totalmente a favor da privatização desse elefante branco chamado RTP), e exactamente quanto é que as que ficam vão "emagrecer"?
O Preço da Irresponsabilidade
Sob o título “O Preço da Irresponsabilidade”, o economista Álvaro Santos Pereira lança, no seu blogue pessoal, um ataque cerrado às medidas de austeridade ontem anunciadas por José Sócrates e Teixeira dos Santos.
Santos Pereira começa por referir que estas medidas “poderiam ter sido perfeitamente evitadas se o governo já tivesse anteriormente atacado o crescimento explosivo da despesa pública”.
Acusa o governo de ter adiado os cortes na despesa pública e de ter encoberto a verdadeira situação das contas públicas “por razões eleitorais”.
O economista centra-se depois no ministro Teixeira dos Santos, acusando-o de ter “feito todos os possíveis e impossíveis para ocultar o verdadeiro estado das contas públicas nacionais e de omitir os encargos da dívida pública indirecta (das empresas públicas) e dos encargos com as parcerias público-privadas”.
"ainda não está assegurado o cumprimento"
O Barclays Capital analisou hoje o pacote de austeridade apresentado pelo Governo português, afirmando que contém medidas orçamentais “draconianas” para 2011 que constituem um risco para as projecções económicas para o próximo ano.
“Face a um aperto orçamental tão draconiano e ao elevado diferencial entre as ‘yields’ das obrigações e o crescimento nominal do PIB, acreditamos que há o perigo de a economia entrar de novo em recessão, o que implica revisões em baixa para as projecções actuais”, afirma a equipa de economistas do Barclays, lembrando que o Governo estima um crescimento de 0,5% no PIB.
Quanto a este ano, o banco de investimento diz que ainda não está assegurado o cumprimento do défice deste ano, de 7,3% do PIB. “Mesmo com a integração do fundo de pensões da Portugal Telecom, ainda vemos como desafiante para o Governo descer o défice para 7,3% este ano”, uma vez que na primeira metade do ano o défice representou 9,5% do PIB, refere o Barclays Capital.