A Itália dos emigrantes contra os imigrantes
"A situação tem-se degradado. Todos os dias um negro é desancado. Isto não pode continuar assim", disse à AFP o jornalista Gian Antonio Stella, jornalista especializado nos movimentos de Direita e autor do livro "Negros, gays, judeus e companhia". A eterna guerra contra o outro, lançado no início de Dezembro.
Entre os últimos exemplos relevantes, a noite de São Silvestre: um etíope foi espancado no centro de Florença e um egípcio foi agredido aos gritos de "maricas de merda", segundo a organização Arcigay. Alguns dias antes, foi o "Natal Branco" organizado por um autarca da Liga Norte, partido anti-imigrantes e membro da coligação de Direita no poder. A operação visava recensear os estrangeiros de Coccaglio (3000 habitantes) e denunciar os clandestinos à autarquia.
A Liga Norte propôs igualmente reservar carruagens de comboios ou apoios sociais aos italianos. "A Liga decidiu explorar o sentimento de insegurança através da imigração", adiantou Sergio Romano, editorialista do "Corriere della Sera". "Como o primeiro-ministro Silvio Berlusconi tem necessidade do apoio da Liga, ela pode dizer o que quiser."
O chefe da Liga, Umberto Bossi, "qualificou os negros de "Bingo Bongo" várias vezes", adiantou Stella, referindo-se a um filme de 1982 em que Adriano Celentano interpretava um homem-macaco. "No estrangeiro, seria uma coisa impensável. Nenhum ministro francês, inglês ou alemão se permitiria falar assim porque esses países reflectiram sobre o seu passado, o que os italianos ainda não fizeram", adiantou ele, numa alusão às leis raciais de Benito Mussolini.
A Liga, por outro lado, defende-se de qualquer acusação de racismo: "Não somos racistas, de todo. Estamos de tal forma à margem desta problemática que não temos necessidade de falar dela", disse à AFP Nicoletta Maggi, porta-voz de Bossi.
Bernardino de Rubeis, autarca de Lampedusa, a pequena ilha perto da costa do Norte de África onde desembarcam regularmente imigrantes clandestinos, está também a ser julgado por declarações publicadas em 2008 no "La Repubblica": "Eu não quero ser racista, mas a cadeira dos pretos cheira mal mesmo se for lavada." Para Piero Soldini, responsável pela área de imigração no Cgil, o maior sindicato italiano, tudo isto está relacionado com "o racismo institucional e a banalização dos propósitos racistas" que, adiantou, "produzem um racismo popular e tolerado no seio da sociedade".
Nos estádios de futebol, depois de gritos de macaco dirigidos aos jogadores negros, os apoiantes da Juventus chamaram "preto de merda" ao atacante do Inter de Milão Mário Balotelli, italiano de origem ganesa. Há também dezenas de ofertas de casa com carácter xenófobo que são todos os dias publicadas na imprensa: "Nem animais, nem estrangeiros" ou "Só italianos, chineses não". Um primeiro processo contra o jornal de pequenos anúncios Porta Portese, que publicou avisos em que eram excluídas as "pessoas de cor", foi já instaurado pelo comité nacional contra a discriminação. publico.pt, 08.01.2010, 09:34
Nota: quantas dezenas de milhares de emigrantes italianos abandonam Itália cada ano com destino a Inglaterra e outros países da UE onde exercem tarefas como empregados de balcão ou nas cozinhas dos restaurantes? Certamente muitas dezenas de milhar mas os italianos parecem esquecer-se disso e de que poucas décadas atrás passavam literalmente fome e tiveram que fugir para os países ricos que os acolheram. E continuam a fugir, agora legalmente dado que fazem parte da UE. O que seria de Itália se a Inglaterra e a Alemanha recambiassem todos os imigrantes italianos sem residência oficial naqueles países que só não são ilegais devido à livre circulação de pessoas e bens na UE? Os italianos têm um cérebro pequeno e uma memória correspondente ao cérebro que têm.
Os países que recebem imigrantes sem lhes proporcionar o mínimo de condições, servindo-se deles unicamente como mão de obra barata, deviam ser fortemente penalizados e eventualmente suspensos da UE. Os empresários que se servem destes imigrantes para potenciar os lucros deviam ser condenados a penas de prisão efectiva.
Por outro lado a lenga-lenga politicamente correcta da "tradicional tolerância da religião muçulmana" infelizmente está a falhar (totalmente) o "teste da realidade": um cristão copta foi morto no Egipto (poucos meses depois uma família inteira de cristãos coptas foi massacrada!) e outros cristãos atacados na Malásia. Estes actos (esperamos) não refletem nem a vontade nem o pensamento da maioria dos muçulmanos: por isso deveriam ter sido prevenidos e evitados pelos respectivos Estados e pelos responsáveis religiosos. Algo parece estar a correr (demasiado) mal.
A bem não vai (1)
O Dr. Vera Jardim, presidente da Comissão Parlamentar Contra a Corrupção, tem sobre os seus ombros uma enorme responsabilidade.
Em 180 dias tem de apresentar propostas de combate efectivo a este fenómeno que infecta de forma profunda todos os sectores da administração pública.
O conselho que aqui lhe deixo é que não perca muito tempo em diagnósticos.
Os sectores onde a corrupção mais se faz sentir estão identificados: o urbanismo nas câmaras municipais, o ordenamento do território, as obras públicas, a contratação por parte da administração pública e do sector empresarial do estado, a defesa e a segurança.
As causas da corrupção são também conhecidas: leis e regulamentos imperceptíveis, com muitas regras, para que os cidadãos não as percebam; muitas excepções, para favorecer os amigos e que permitem um enorme poder discricionário a quem as aplica, esta a principal fonte de corrupção.
E, claro, o estado comatoso em que se encontra o aparelho de justiça, que precisa urgentemente de um novo modelo de organização, que traga esta justiça medieval para os tempos modernos em que vivemos.
Feito o diagnóstico, venha pois a terapêutica. Mas não esqueça, Dr. Vera Jardim que para debelar o problema da corrupção em Portugal, não chegam suaves tratamentos. Nesta matéria, Portugal precisa duma intervenção, duma cirurgia profunda.
A bem não vai (2)
Também isto tem de ser resolvido a mal.
"A situação tem-se degradado. Todos os dias um negro é desancado. Isto não pode continuar assim", disse à AFP o jornalista Gian Antonio Stella, jornalista especializado nos movimentos de Direita e autor do livro "Negros, gays, judeus e companhia". A eterna guerra contra o outro, lançado no início de Dezembro.
Entre os últimos exemplos relevantes, a noite de São Silvestre: um etíope foi espancado no centro de Florença e um egípcio foi agredido aos gritos de "maricas de merda", segundo a organização Arcigay. Alguns dias antes, foi o "Natal Branco" organizado por um autarca da Liga Norte, partido anti-imigrantes e membro da coligação de Direita no poder. A operação visava recensear os estrangeiros de Coccaglio (3000 habitantes) e denunciar os clandestinos à autarquia.
A Liga Norte propôs igualmente reservar carruagens de comboios ou apoios sociais aos italianos. "A Liga decidiu explorar o sentimento de insegurança através da imigração", adiantou Sergio Romano, editorialista do "Corriere della Sera". "Como o primeiro-ministro Silvio Berlusconi tem necessidade do apoio da Liga, ela pode dizer o que quiser."
O chefe da Liga, Umberto Bossi, "qualificou os negros de "Bingo Bongo" várias vezes", adiantou Stella, referindo-se a um filme de 1982 em que Adriano Celentano interpretava um homem-macaco. "No estrangeiro, seria uma coisa impensável. Nenhum ministro francês, inglês ou alemão se permitiria falar assim porque esses países reflectiram sobre o seu passado, o que os italianos ainda não fizeram", adiantou ele, numa alusão às leis raciais de Benito Mussolini.
A Liga, por outro lado, defende-se de qualquer acusação de racismo: "Não somos racistas, de todo. Estamos de tal forma à margem desta problemática que não temos necessidade de falar dela", disse à AFP Nicoletta Maggi, porta-voz de Bossi.
Bernardino de Rubeis, autarca de Lampedusa, a pequena ilha perto da costa do Norte de África onde desembarcam regularmente imigrantes clandestinos, está também a ser julgado por declarações publicadas em 2008 no "La Repubblica": "Eu não quero ser racista, mas a cadeira dos pretos cheira mal mesmo se for lavada." Para Piero Soldini, responsável pela área de imigração no Cgil, o maior sindicato italiano, tudo isto está relacionado com "o racismo institucional e a banalização dos propósitos racistas" que, adiantou, "produzem um racismo popular e tolerado no seio da sociedade".
Nos estádios de futebol, depois de gritos de macaco dirigidos aos jogadores negros, os apoiantes da Juventus chamaram "preto de merda" ao atacante do Inter de Milão Mário Balotelli, italiano de origem ganesa. Há também dezenas de ofertas de casa com carácter xenófobo que são todos os dias publicadas na imprensa: "Nem animais, nem estrangeiros" ou "Só italianos, chineses não". Um primeiro processo contra o jornal de pequenos anúncios Porta Portese, que publicou avisos em que eram excluídas as "pessoas de cor", foi já instaurado pelo comité nacional contra a discriminação. publico.pt, 08.01.2010, 09:34
Nota: quantas dezenas de milhares de emigrantes italianos abandonam Itália cada ano com destino a Inglaterra e outros países da UE onde exercem tarefas como empregados de balcão ou nas cozinhas dos restaurantes? Certamente muitas dezenas de milhar mas os italianos parecem esquecer-se disso e de que poucas décadas atrás passavam literalmente fome e tiveram que fugir para os países ricos que os acolheram. E continuam a fugir, agora legalmente dado que fazem parte da UE. O que seria de Itália se a Inglaterra e a Alemanha recambiassem todos os imigrantes italianos sem residência oficial naqueles países que só não são ilegais devido à livre circulação de pessoas e bens na UE? Os italianos têm um cérebro pequeno e uma memória correspondente ao cérebro que têm.
Os países que recebem imigrantes sem lhes proporcionar o mínimo de condições, servindo-se deles unicamente como mão de obra barata, deviam ser fortemente penalizados e eventualmente suspensos da UE. Os empresários que se servem destes imigrantes para potenciar os lucros deviam ser condenados a penas de prisão efectiva.
Por outro lado a lenga-lenga politicamente correcta da "tradicional tolerância da religião muçulmana" infelizmente está a falhar (totalmente) o "teste da realidade": um cristão copta foi morto no Egipto (poucos meses depois uma família inteira de cristãos coptas foi massacrada!) e outros cristãos atacados na Malásia. Estes actos (esperamos) não refletem nem a vontade nem o pensamento da maioria dos muçulmanos: por isso deveriam ter sido prevenidos e evitados pelos respectivos Estados e pelos responsáveis religiosos. Algo parece estar a correr (demasiado) mal.
A bem não vai (1)
O Dr. Vera Jardim, presidente da Comissão Parlamentar Contra a Corrupção, tem sobre os seus ombros uma enorme responsabilidade.
Em 180 dias tem de apresentar propostas de combate efectivo a este fenómeno que infecta de forma profunda todos os sectores da administração pública.
O conselho que aqui lhe deixo é que não perca muito tempo em diagnósticos.
Os sectores onde a corrupção mais se faz sentir estão identificados: o urbanismo nas câmaras municipais, o ordenamento do território, as obras públicas, a contratação por parte da administração pública e do sector empresarial do estado, a defesa e a segurança.
As causas da corrupção são também conhecidas: leis e regulamentos imperceptíveis, com muitas regras, para que os cidadãos não as percebam; muitas excepções, para favorecer os amigos e que permitem um enorme poder discricionário a quem as aplica, esta a principal fonte de corrupção.
E, claro, o estado comatoso em que se encontra o aparelho de justiça, que precisa urgentemente de um novo modelo de organização, que traga esta justiça medieval para os tempos modernos em que vivemos.
Feito o diagnóstico, venha pois a terapêutica. Mas não esqueça, Dr. Vera Jardim que para debelar o problema da corrupção em Portugal, não chegam suaves tratamentos. Nesta matéria, Portugal precisa duma intervenção, duma cirurgia profunda.
A bem não vai (2)
Também isto tem de ser resolvido a mal.