Um dia, num distante Verão decidi conduzir de Lisboa até ao Cabo Norte, na Noruega. Cheguei um pouco acima de Bergen, visitei o glaciar que me disseram ser o maior da Europa e eu acredito que seja, fiquei uma noite num camping (muitos viajantes fazem "campismo selvagem" que na Noruega é legal e evidentemente absolutamente seguro) junto a um lago com vistas de "Walt Disney" para o glaciar, viajei um pouco pelo planalto com paisagens de "cortar a respiração", atravessei para a Suécia e comecei a viagem de retorno para o Sul. De Bergen até ao Cabo Norte é quase a mesma distância que de Lisboa a Paris, tinha de contar com um semana para o regresso, dado que eram férias e eu não sou motorista, menos ainda motorista pago como os motoristas dos membros do governo português e ex-presidentes e outros, com o "bónus" das multas serem pagas pelo Estado português, logo, dei meia volta, e, se tinha chegado à Noruega por barco desde Kiel, no norte da Alemanha, decidi voltar por terra e portanto tive de atravessar três pontes cujas portagens acabaram por custar mais ou menos o mesmo que o ferry Oslo-Kiel, ou seja, mais que o preço de um bilhete "inter-rail" de um mês (na altura os bilhetes "inter-rail" eram para toda a Europa e eram de um mês). Para não falar das vezes que tive de pagar portagens que de repente apareciam no caminho nas montanhas norueguesas (não, não se tratavam de auto-estradas pois a Noruega só tem, ou tinha, uma pequena auto-estrada, que chegava muito bem, apesar de ser um país rico e incomparavelmente mais extenso que Portugal...). Foi-me explicado que o montante das portagens era destinado às reparações daquelas estradas.
Bom, isto para dizer que evidentemente atravessei a França duas vezes e por duas vezes me vi "embrulhado" em situações "estranhas". Na auto-estrada Paris-Lille tive um problema com o aquecimento do carro e verifiquei que a minha companhia de seguros não podia mandar o reboque porque aquela auto-estrada trabalhava com empresas (de reboque) que tinham a exclusividade! Paguei uma barbaridade para me rebocarem 3km até à estação de serviço mais próxima. Pura máfia... Na volta tive de pagar um multa por excesso de velocidade (excedi a velocidade permitida em 10km/hora, segundo os "gendarmes"), mas verifiquei que o francês que lá estava parado acabou por nada pagar depois de umas conversas em voz baixa com os ditos cujos. A corrupção em França é algo súbtil, que nada tem a ver com notas metidas nas cadernetas de multas dos polícias, como no México...
Logo não me admira que na França se "abafem" casos quando envolvem figuras públicas ou gente "com meios". Quase que aposto que a imprensa francesa, muito "politicamente correcta", até ia colaborar no "abafanço", não fosse o Evening Standard, britânico, estragar-lhes o bom comportamento e pôr em destaque algo que acontece sistematicamente na "justiça latina", ou da Europa do Sul e (alguns) países ex-comunistas:
“If the suspects involved were ordinary kids from the estates they would have been brought in by now,” said one officer. “As it is, this case is being dealt with at a very high level. Lots of meetings have taken place to discuss the sensitivity of the issue, and there has been an intervention from London.”
(Ha! Que quem solicitou o low-profile foram os britânicos, dado o envolvimento da irmã da duquesa não sei das quantas... Claro que os franceses aceitaram de bom grado o favor pedido pelos britânicos) (da mesma forma que os britânicos no tempo de Gordon Brown aceitaram destruir o dossier Freeport, que estava a ser tratado pelo SFO. Em troca não se sabe de quê...)
Nota: este caso e outros faz-nos perceber porque até agora não foram dados passos na unificação do sistema de justiça na UE. Um player maior, como a França, não tem de facto interesse em que se avance na unificação do sistema de justiça porque aí alguns "figurões" da política francesa arriscavam-se a penas de prisão efectiva, coisa impensável no "sistema" francês. Entretanto ficamos a aguardar se vão acontecer detenções de políticos britânicos relacionados com os repatriamentos ilegais para a Líbia de Kadaffi...
* e os outros...
Bom, isto para dizer que evidentemente atravessei a França duas vezes e por duas vezes me vi "embrulhado" em situações "estranhas". Na auto-estrada Paris-Lille tive um problema com o aquecimento do carro e verifiquei que a minha companhia de seguros não podia mandar o reboque porque aquela auto-estrada trabalhava com empresas (de reboque) que tinham a exclusividade! Paguei uma barbaridade para me rebocarem 3km até à estação de serviço mais próxima. Pura máfia... Na volta tive de pagar um multa por excesso de velocidade (excedi a velocidade permitida em 10km/hora, segundo os "gendarmes"), mas verifiquei que o francês que lá estava parado acabou por nada pagar depois de umas conversas em voz baixa com os ditos cujos. A corrupção em França é algo súbtil, que nada tem a ver com notas metidas nas cadernetas de multas dos polícias, como no México...
Logo não me admira que na França se "abafem" casos quando envolvem figuras públicas ou gente "com meios". Quase que aposto que a imprensa francesa, muito "politicamente correcta", até ia colaborar no "abafanço", não fosse o Evening Standard, britânico, estragar-lhes o bom comportamento e pôr em destaque algo que acontece sistematicamente na "justiça latina", ou da Europa do Sul e (alguns) países ex-comunistas:
“If the suspects involved were ordinary kids from the estates they would have been brought in by now,” said one officer. “As it is, this case is being dealt with at a very high level. Lots of meetings have taken place to discuss the sensitivity of the issue, and there has been an intervention from London.”
(Ha! Que quem solicitou o low-profile foram os britânicos, dado o envolvimento da irmã da duquesa não sei das quantas... Claro que os franceses aceitaram de bom grado o favor pedido pelos britânicos) (da mesma forma que os britânicos no tempo de Gordon Brown aceitaram destruir o dossier Freeport, que estava a ser tratado pelo SFO. Em troca não se sabe de quê...)
Nota: este caso e outros faz-nos perceber porque até agora não foram dados passos na unificação do sistema de justiça na UE. Um player maior, como a França, não tem de facto interesse em que se avance na unificação do sistema de justiça porque aí alguns "figurões" da política francesa arriscavam-se a penas de prisão efectiva, coisa impensável no "sistema" francês. Entretanto ficamos a aguardar se vão acontecer detenções de políticos britânicos relacionados com os repatriamentos ilegais para a Líbia de Kadaffi...
* e os outros...