O facto de ser aparentemente uma democracia é o passaporte automático para o "bem"? New Deli é uma das cidades mais perigosas do mundo, onde a mulheres são violadas em plena via pública. A Índia é um dos lugares mais corruptos do mundo e o seu crescimento está a abrandar nitidamente devido à corrupção endémica e generalizada. E vai abrandar ainda mais. O mais aberrante é como o país da suposta meditação e do suposto desapego da materialidade pode ser o país mais submetido à materialidade do dinheiro e do lucro. Seguramente que a democracia indiana, onde tudo é comprável e tudo manipulável (até os votos), possui a mesma legitimidade que a "democracia" manipulada de Vladimir Putin.
O escândalo do recente assassinato de um inglês na China lançou a polémica sobre a China numa prespectiva ainda pouco trabalhada: a corrupção de Estado na China. Porque até agora a China era vista como uma ditadura mas uma ditadura algo legítima. Pessoalmente partilho da opinião de Bell porque acho que nem a democracia é um, e muito menos "o", sistema universal, nem as supostas "democracias" minadas pela corrupção detêm qualquer legitimidade: o caso do "regime Berlusconi", democraticamente eleito e substituído não democraticamente - para alívio universal (e aqui há algo de "quase-absoluto" do qual a "democracia berlusconiana", ou democracia "bunga-bunga", estava radicalmente desinvestida) - por um governo "tecnocrata", demonstra que a democracia não é de todo um regime de "cariz universalizante".
No entanto o próprio Bell, no FT de ontem, levantou um véu, questionando até que ponto o regime chinês vai ser aceite e apoiado pelos chineses no caso de regressão económica. Ou seja, na ausência de uma "eficacidade" comummente reconhecida e aceite, o regime perde a legitimidade: as pessoas até podem tolerar o facto de não elegerem o seu governo, mas não toleram é que esse governo seja incompetente e corrupto. Uma boa questão que pode ajudar na compreensão do porquê da legitimidade de um regime não eleito.
No entanto a questão avançada não é retórica: a Índia é de facto e apesar de tudo substancialmente melhor do que a China. Na China também existe corrupção endémica. O facto do PCC a poder teoricamente irradicar sem ter os entraves de uma democracia e dos supostos "direitos humanos" só demonstra que a vantagem de uma ditadura de partido único para impôr uma ética política é meramente virtual, dado que os quadros do partido são vulneráveis à corrupção e a corrupção atingiu níveis impensáveis e inaceitáveis para um regime que se diz conduzir por princípios. Logo o argumento ético, que seria uma mais valia para a legitimidade do sistema, eclipsa-se, abrindo-nos à realidade de uma corrupção monstruosa onde os tiranos locais (que depois ascendem ao topo do partido através do sistema interno de nomeações, cooptações e voto de braço no ar - para não falarmos dos "príncipes" *, que são os filhos e familiares mais directos dos dirigentes "históricos" do PCC), impõem a sua lei pessoal, fundada em perseguições e execuções sumárias.
Basicamente o regime chinês é um regime endemicamente corrupto e despótico, onde o assassinato em massa pode ser considerado do "interesse do partido" e logo legalmente promovido. Basta olhar para o agora caído Bo Xilai que promoveu execuções em massa de supostos criminosos, decididas em julgamentos sumários e muitos nem isso.
Depois há o Tibete. Um país não pode ocupar militarmente um outro e muito menos proceder a um genocídio metódico da sua cultura, idioma e religião, sob um pretexto histórico estúpido e manipulado. Mesmo que o pretexto histórico tivesse realidade, a realidade de uma cultura e de um povo que não aceita a administração chinesa teria mais força de legitimidade. A China tem demonstrado ser brutal com o Tibete e a cultura tibetana e a China há-de, num determinado momento da história, cair de podre, numa agonia rápida quando comparada com a duração do "sistema" do PCC, enquanto a Índia continuará o seu processo ("ancestral"?) de lento apodrecimento...
* do qual um exemplar é o filho de Bo Xilai: Xilai tem ou tinha um ordenado oficial de equivalente a 300 dólares norte-americanos, mas o filho ostentava um Ferrari quando vivia em Pequim e agora em Harvard, onde (aparentemente ainda) estuda, paga 7000 dólares de propina por trimestre e desloca-se num Porshe.
Nota: "nós" sabemos que a China não hesitará em impôr-se pela força como vez com o Tibete, quando considerar que estão em causa os seus "legítimos" direitos, valendo-se das negociatas de Estado que fez com um ou outro governo incompetente do "ocidente". O "ocidente" deve ter consciência disso e manter o seu elevado nível de armamento e tecnologia militar que lhe permitam defender com todos os meios os seus interesses geopolíticos e estratégicos e o seu "território histórico". Mas vamos tentar ultrapassar as falconices (de falcões e não de outra coisa qualquer) e esperar que a racionalidade prevaleça, agora que um dos ditadores maoístas do PCC caiu. Fartou-se de mandar matar gente e até matou um inglês, coisa que acabou por ditar a sua queda e provavelmente a forca para a mulher (na verão oficial foi a mulher de Bo Xilai quem mandou matar o inglês), a mesma receita que aplicava sistematicamente aos supostos criminosos (e seguramente a muitos "inoportunos" e opositores) da cidade que controlava.
O escândalo do recente assassinato de um inglês na China lançou a polémica sobre a China numa prespectiva ainda pouco trabalhada: a corrupção de Estado na China. Porque até agora a China era vista como uma ditadura mas uma ditadura algo legítima. Pessoalmente partilho da opinião de Bell porque acho que nem a democracia é um, e muito menos "o", sistema universal, nem as supostas "democracias" minadas pela corrupção detêm qualquer legitimidade: o caso do "regime Berlusconi", democraticamente eleito e substituído não democraticamente - para alívio universal (e aqui há algo de "quase-absoluto" do qual a "democracia berlusconiana", ou democracia "bunga-bunga", estava radicalmente desinvestida) - por um governo "tecnocrata", demonstra que a democracia não é de todo um regime de "cariz universalizante".
No entanto o próprio Bell, no FT de ontem, levantou um véu, questionando até que ponto o regime chinês vai ser aceite e apoiado pelos chineses no caso de regressão económica. Ou seja, na ausência de uma "eficacidade" comummente reconhecida e aceite, o regime perde a legitimidade: as pessoas até podem tolerar o facto de não elegerem o seu governo, mas não toleram é que esse governo seja incompetente e corrupto. Uma boa questão que pode ajudar na compreensão do porquê da legitimidade de um regime não eleito.
No entanto a questão avançada não é retórica: a Índia é de facto e apesar de tudo substancialmente melhor do que a China. Na China também existe corrupção endémica. O facto do PCC a poder teoricamente irradicar sem ter os entraves de uma democracia e dos supostos "direitos humanos" só demonstra que a vantagem de uma ditadura de partido único para impôr uma ética política é meramente virtual, dado que os quadros do partido são vulneráveis à corrupção e a corrupção atingiu níveis impensáveis e inaceitáveis para um regime que se diz conduzir por princípios. Logo o argumento ético, que seria uma mais valia para a legitimidade do sistema, eclipsa-se, abrindo-nos à realidade de uma corrupção monstruosa onde os tiranos locais (que depois ascendem ao topo do partido através do sistema interno de nomeações, cooptações e voto de braço no ar - para não falarmos dos "príncipes" *, que são os filhos e familiares mais directos dos dirigentes "históricos" do PCC), impõem a sua lei pessoal, fundada em perseguições e execuções sumárias.
Basicamente o regime chinês é um regime endemicamente corrupto e despótico, onde o assassinato em massa pode ser considerado do "interesse do partido" e logo legalmente promovido. Basta olhar para o agora caído Bo Xilai que promoveu execuções em massa de supostos criminosos, decididas em julgamentos sumários e muitos nem isso.
Depois há o Tibete. Um país não pode ocupar militarmente um outro e muito menos proceder a um genocídio metódico da sua cultura, idioma e religião, sob um pretexto histórico estúpido e manipulado. Mesmo que o pretexto histórico tivesse realidade, a realidade de uma cultura e de um povo que não aceita a administração chinesa teria mais força de legitimidade. A China tem demonstrado ser brutal com o Tibete e a cultura tibetana e a China há-de, num determinado momento da história, cair de podre, numa agonia rápida quando comparada com a duração do "sistema" do PCC, enquanto a Índia continuará o seu processo ("ancestral"?) de lento apodrecimento...
* do qual um exemplar é o filho de Bo Xilai: Xilai tem ou tinha um ordenado oficial de equivalente a 300 dólares norte-americanos, mas o filho ostentava um Ferrari quando vivia em Pequim e agora em Harvard, onde (aparentemente ainda) estuda, paga 7000 dólares de propina por trimestre e desloca-se num Porshe.
Nota: "nós" sabemos que a China não hesitará em impôr-se pela força como vez com o Tibete, quando considerar que estão em causa os seus "legítimos" direitos, valendo-se das negociatas de Estado que fez com um ou outro governo incompetente do "ocidente". O "ocidente" deve ter consciência disso e manter o seu elevado nível de armamento e tecnologia militar que lhe permitam defender com todos os meios os seus interesses geopolíticos e estratégicos e o seu "território histórico". Mas vamos tentar ultrapassar as falconices (de falcões e não de outra coisa qualquer) e esperar que a racionalidade prevaleça, agora que um dos ditadores maoístas do PCC caiu. Fartou-se de mandar matar gente e até matou um inglês, coisa que acabou por ditar a sua queda e provavelmente a forca para a mulher (na verão oficial foi a mulher de Bo Xilai quem mandou matar o inglês), a mesma receita que aplicava sistematicamente aos supostos criminosos (e seguramente a muitos "inoportunos" e opositores) da cidade que controlava.