Crimes contra crianças e violência doméstica vão permanecer no registo criminal por 20 anos
O Governo aprovou hoje uma proposta de lei impondo que os crimes de abuso, exploração sexual de crianças e de violência doméstica apenas sejam apagados do registo criminal 20 anos depois da extinção das penas.
Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, o titular da pasta da Justiça, Alberto Costa, afirmou que a proposta de lei agora aprovada "é uma novidade" no direito português" e que visa "reforçar a protecção de crianças e jovens contra situações de abuso e exploração sexual".
Até agora, pela lei portuguesa, este tipo de crimes apenas constavam no registo criminal entre cinco e 15 anos, dependendo da sua gravidade.
Segundo o ministro da Justiça o diploma "introduz-se um mecanismo de aferição da idoneidade, que é aplicado a todas as pessoas que se candidatem a profissões ou actividades em que haja contacto regular com crianças".
"As entidades recrutadoras devem em todos os casos ponderar a informação que resulte de um certificado de registo criminal cuja apresentação é obrigatória. Também no domínio da adopção e de decisões que se encontrem relacionadas com a entrega ou confiança de menores, a autoridade judiciária passa a aceder à informação do registo criminal no sentido de proceder à aferição da idoneidade das pessoas em causa, podendo esta consulta abranger igualmente que coabitem com a pessoa candidata", sublinhou também Alberto Costa.
Neste contexto, o ministro da Justiça referiu que estas mudanças na legislação implicarão a partir de agora "actualizações no regime do registo criminal, nomeadamente a previsão de que só haverá cancelamento definitivo do registo das condenações depois de decorridos 20 anos sobre a extinção das penas, o que é uma novidade no direito português".
Nota: muito bem, mas faltam os crimes contra os idosos.
Caso Freeport foi discutido na Presidência da República
O processo Freeport esteve segunda-feira em discussão no Palácio de Belém. As suspeitas vindas a público e já desmentidas pelo conselho de fiscalização dos Serviço de Informação da República Portuguesa de que haveria magistrados do Ministério Público encarregues do processo sob vigilância por parte de elementos do Serviço de Informação e Segurança (SIS) foi um dos temas debatidos entre Cavaco Silva e o secretário-geral do Serviço de Informação da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, que tutela o SIS, noticiou ontem o Correio da Manhã.
O encontro, segundo fonte da Presidência disse ao PÚBLICO, teve lugar no âmbito dos "contactos regulares" que o Cavaco Silva e o secretário-geral do SIRP mantêm sobre a actividade do SIS e do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).
A Presidência da República não divulga quais os temas da conversa, mas o PÚBLICO confirmou junto de outras fontes, que, entre muitas outras matérias, envolveu o caso Freeport e também o caso da lista de agentes do SIED que apareceu no sistema informático da Presidência do Conselho de Ministros.
Já na próxima segunda-feira, o caso Freeport volta a ser abordado na Procuradoria-geral da República por iniciativa do PSD, cujo líder parlamentar, Paulo Rangel, será recebido pelo procurador-geral, Pinto Monteiro, segundo revelou a Lusa. No passado sábado, os delegados do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), reunidos em Tomar, consideraram que "as pressões e intimidações" sobre os magistrados titulares de "processos ou investigações delicados" envolvem "poderosos meios de contra-informação só disponíveis, por norma, aos serviços de inteligence".
