E quando é que representaram? *

Vasco Lourenço acusa eleitos de não representarem a sociedade (jn.pt)

* seriam por acaso os que conduziram o país à falência que "representavam a sociedade"? Representariam... a sociedade de alguns interesses privados... Mas sem dúvida que estes córôneis de Abril têm responsabilidades no estado a que o lugar chegou. É pena que não tenham "estrebuchado" desta forma quando se fizeram as PPP e outras negociatas ruinosas que levaram o país à falência. Mas faça-se justiça ao Otelo que foi o único que manifestou o seu desalento com o estado das coisas, dizendo que se soubesse não tinha feito o 25 de Abril. Todos lhe caíram em cima, especialmente os figurões que agora se indignam tanto mas que toleraram a maior roubalheira da história portuguesa, que parece uma vez mais ir ficar impune (a portuguesa justiça anda muito muito ocupada com os ladrões de sabonetes e com as músicas da internet). O Otelo pode-se ter  expressado de forma "politicamente incorrecta", mas teve toda a razão em fazer "ondas" e a história há-de fazer-lhe justiça. Sobretudo que se ... o politicamente correcto tuga e os cinzentões mediocres e corruptos seus arautos que nos conduziram a isto, pois grande parte deles em qualquer lugar com o mínimo de decência já estaria há muito na "jaula". 


A democracia quando é sistematicamente pervertida não possui qualquer legitimidade. A maior prova disso, em pleno coração da Europa, da UE e do Euro, é a Itália, onde um governo democraticamente eleito foi afastado por consenso de "carácter universal", que tem mais valor do que um suposto "regime democrático" anedótico, menorizado e  "universalmente" achincalhado. Imagine-se agora a hipótese virtual da Itália continuar a ser dominada pela Máfia, através dos partidos maioritários. Era ou não correcto, justo e "universalmente" consensual, que  a "comunidade internacional" deveria suspender a democracia italiana e mandatar um "governo de tecnocratas" até a Máfia ser totalmente eliminada, levasse o tempo que levasse?


O meu tio Joaquim de Sousa Teixeira, que esteve preso no Tarrafal, sempre se manteve à margem da política, sintomaticamente depois do 25 de Abril onde já não corria o risco de ser preso outra vez e gozaria sempre de uma auréola de herói anti-fascista. Lembro-me perfeitamente do cepticismo com que ele encarava a minha militância numa juventude "revolucionária". Agora compreendo bem o seu cepticismo e rendo-lhe homenagem. Não só pelo que lutou e sofreu pela liberdade para este lugar triste e decadente, mas também pela súbtil e nunca verbalizada premonição de que "isto" não ia acabar bem.

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